(10/06/2026) Eu estava muito ansioso pela
chegada da Sessão Saudade, cerimônia memorial estatutária promovida pela ACATUL
(Academia Tubaronense de Letras) para homenagear o saudoso escritor Miguel Fernandes
Alves.
A verdade é que eu já havia participado de uma
outra Sessão assim. Corria o ano de 2024 e um dos homenageados foi o saudoso
escritor Pe. Raimundo Ghizoni, cuja Cadeira 24 eu, sem merecer, mas
orgulhosamente fui chamado a ocupar.
Desta feita, a Sessão aconteceu nas
dependências da Biblioteca do SESC, em Tubarão, no final desta tarde outonal.
Fizeram-se presentes alguns membros da Academia, mais quatro pessoas amigas e
três familiares do homenageado, sendo duas filhas e uma prima irmã.
Saudades do que ou de quem é bom.
Não obstante o número reduzido de participantes
– e, talvez por isso, o clima familiar que envolveu o evento possibilitou
verdadeiros momentos de emoção e aquela saudade boa que é permeada por
gratidão, admiração, agradáveis lembranças e a certeza de que a vida não
acabou.
A Sessão foi aberta pela presidenta Marilene da
Rosa Lapolli, dando as boas-vindas a todos.
“Obrigado por
vocês estarem aqui, confrades e familiares, para esta homenagem tão merecida –
e eu repito: tão merecida! – ao nosso confrade Miguel. Seguindo nossos Estatutos,
após 90 dias do passamento de um membro, já podemos planejar uma Sessão
Saudade. Somente após esta data é que se pode pensar em ocupar a Cadeira que
ficou vacante.
Quanto à Cadeira do seu Miguel, em particular, já
adianto que, por enquanto, não temos nenhuma data marcada para definir quem a
ocupará. Atualmente, temos cinco Cadeiras vagas e pretendemos, até o final do
ano, dar algum encaminhamento para a posse de novos membros.
Registro uma especial gratidão à presença do nosso Membro Benemérito, o senhor Genésio Antônio Mendes; à professora Jussara, que escreveu o texto para esta homenagem, e aos demais membros da nossa Diretoria.”
No mar da saudade...
Então, a
acadêmica Jussara Bittencourt de Sá iniciou a Sessão de homenagens.
“É
uma alegria estar aqui, embora tomada pela emoção do nome a ser homenageado.
Novamente coube a mim a tarefa de expressar algumas palavras para homenagear o
seu Miguel Fernandes Alves, que agora está entre aqueles nossos confrades
acadêmicos que já foram escrever em outros planos.
Para
mim, estar aqui num evento que evoca a pessoa, a contribuição e a memória do
seu Miguel é uma honra e uma imensa saudade. Ele foi membro fundador e titular
da Academia Tubarão de Letras, Cadeira Nº 09. Todos aqui partilhamos do
carinho, da saudade e da admiração por nosso confrade, principalmente por
vivenciarmos a sua filosofia, sua Literatura e a sua música.
Para
a ACATUL esta é uma noite muito especial, pois celebra com saudade, esse sentimento
tão profundo e forte, que é capaz de presentificar todos aqueles que tocaram o
nosso coração, e adentrando mais uma vez por esse imenso mar da saudade, nos
transportamos nesta noite, navegando por momentos da história vividos com o
nosso irmão.
Conviver é preciso; especialmente para todos os que tivemos a oportunidade de compartilhar momentos tão importantes de nossas vidas, tocadas ainda pela prosa, pela poesia e pelos ensaios filosóficos do nosso escritor Miguel. Tais momentos preciosos da Literatura em nossa vida sempre nos emocionam. Muitos aqui puderam viver e conviver a Literatura do nosso homenageado.”
A vida com sentido.
O que mais dizer
a respeito de Miguel Fernandes Alves? Para conhecê-lo, eis algumas anotações
biográficas.
Miguel nasceu em
Tubarão (SC), em agosto de 1942, filho de João Anacleto Alves e de Benta
Fernandes Alves, casado com Santina Maria Alves, com quem teve três filhos:
Silvana, Cristine e Arlan. Bacharel em Ciências Econômicas, foi funcionário do
Sindicato Rural, despachante de trânsito durante 30 anos e membro fundador da
ACATUL, ocupando a Cadeira Nº 09, tendo por patrono Antônio Frederico Castro
Alves, ‘o poeta dos escravos’.
Publicou várias
obras, como “O Templo dos Monges” (Editora
Unisul, 2009) e “Jerônimo, de Escravo a Mestre”
(Editora Humaitá, 2022), tendo participado de quase todas as Coletâneas da Academia.
Entre seus artigos publicados, podemos citar “A Reformulação da Educação – a Urgência do Momento” e “O Exercício da Inquirição Mental”,
ambos publicados na Coletânea “Fragmentos
da Alma – Prosa e Verso” (Editora Unisul, 2004, p. 96ss). Recentemente, o
escritor foi condecorado como Membro Emérito da Academia.
Foi no dia 11 de
março de 2025 que a Cidade Azul acordou sobressaltada com a notícia do
passamento de seu respeitoso cidadão. Miguel partiu aos 82 anos de idade. A imprensa
repercupiu o ocorrido. Familiares e amigos acompanharam o velório e seu corpo
foi sepultado no Horto da Saudade, em Tubarão.
Mais tarde, a
Câmara de Vereadores aprovou Moção de Condolências à família, por iniciativa do
Prof. Maurício da Silva, registrando que ele “era ativo em eventos
culturais e literários na região... Sua morte constitui perda irreparável...”.
Amigo talentoso.
Com carinho,
Jussara comentou sobre a amizade que a aproximava de Miguel.
“Em
2009, ele me pediu para prefaciar seu livro ‘O Templo dos Monges’. Aceitei e, na
ocasião, escrevi: ‘Miguel mostra-nos, com tom de narrativa que viceja a
relevância de conhecimento do ser humano, sublinhando a investigação na relação
filosófica, seus conceitos e o que eles podem significar entre si’.
Percebi
ali, que a Literatura e a Filosofia estavam amarradas em forma de linhas; tanto
que, na continuidade do Prefácio, sublinhei: ‘uma obra de literatura ficcional,
construída pelo conhecimento e pela imaginação de um pesquisador criativo e
comprometido com as ideias. Tais características acham-se nos seus artigos e
costura realidade e sua observação com conhecimento, parte científica e parte
artística’.”
Idealista do livre pensamento.
A confreira
Vivian Mara Silva Garcia foi indicada à Academia pelo seu Miguel. Em seu
depoimento, manifestou enorme admiração por seu ‘padrinho literário’.
“De
todos os que são gratos ao seu Miguel, eu tenho um agradecimento especial,
porque foi ele quem me fez o convite para ingressar na Academia. Em 2010, ele
me encontrou na Unisul e, sempre muito gentil, generoso e interessado em
Literatura, sabendo que eu tinha uma coluna num jornal da cidade, me fez o
convite. E diante daquela proposta, eu me vi sem saída e decidi aceitá-la.
Então, registro, mais uma vez aqui, toda a minha gratidão ao seu Miguel.”
Ela também
comentou sobre uma das iniciativas culturais do seu confrade.
“Em
2011, ele procurou-me para organizar um Grupo de Estudos dos Livre Pensadores e
solicitou um espaço na Unisul para tal atividade. Ainda guardo uma foto do
primeiro encontro que realizamos.
Ele
era uma pessoa que vivia a Filosofia e nutria um grande desejo de conhecimento.
Para que tal projeto crescesse e produzisse frutos, o Grupo passou a atuar
mensalmente na sala de reuniões da cátedra da Unisul, no Espaço Integrado de
Artes.”
Vivian, reconhecendo
que o Miguel era muito interessado em Literatura, apresentou um texto da lavra
do acadêmico no qual ele abordava uma questão fundamental a respeito do livre
pensar.
“Como
podemos nos expressar livremente, se os nossos pensamentos estão atrelados às
informações recebidas durante nossa vida inteira e que moldam nossa visão de
mundo (escola, internet, a mídia impressa, cinema, música...). Cabe a nós,
sempre que possível, estimular as crianças, os adolescentes e, de modo geral,
os que têm menos acesso aos estudos, o livre pensamento? Se fizermos assim pelo
mundo, onde poderemos nos expressar com a mente liberta.
De
que forma isso pode ocorrer, visto que essa liberdade é um exercício de
construção? É conversando, pensando, ensinando narrativas, estimulando o
debate, a troca de ideias e o franco pensamento sem ordenamento pré-concebido.”
E ela exclamou:
“Vejam
como era a mente do nosso confrade! Meu eterno agradecimento a essa figura tão
importante para a nossa Academia.”
Segundo a
escritora, Miguel Alves pretendia que os materiais produzidos pelos integrantes
do Grupo de Estudos resultassem num livro, bem como em ações nas Escolas e Universidades.
Tudo isso teria sido maravilhoso! Porém, mais tarde, quando não puderem mais
utilizar um espaço na Unisul, o Grupo se desarticulou.
Poeta e pensador.
Patrícia Bettiol,
membro da ACATUL, uniu-se aos confrades na homenagem ao ilustre acadêmico,
lendo um de seus poemas, FILOSOFEMA, que constou da Coletânea “Olhares em Versos e Prosa” (2023, pp.
138-139).
Ante, porém,
dirigiu-se às duas filhas de Miguel ali presentes.
“O
pai de vocês era um ser humano tão maravilhoso, um entusiasta da vida, que
cantava e era sempre gentil, delicado e, sobretudo, muito inteligente. Quando
eu li o livro dele ‘Jerônimo, de Escravo a Mestre’, dei-me conta do quão bem
esse homem escrevia. Achei incrível o seu estilo! Eu sou uma grande admiradora
e amiga do pai de vocês. E, com muito carinho e amor, muitas vezes, após nossas
reuniões da Academia, levei-o de volta à sua casa. Fico emocionada ao
lembrar-me daqueles momentos fraternos.”
Filosofema
Divagando
meu espírito, penso no mundo infinito. Meu olhar se perde nas brumas,
refletindo à beira-mar, inspirando o meu pensar, brumas brancas como espuma.
É
atávico e ancestral temer a inquirição mental sobre os porquês do mundo. Estão na
mente incrustados, do coletivo alienado, os seus temores infundados.
Movem-se
as ondas do mar, imprevisível e irregular, o crepitar da luz é beleza. E o sol
faz ornamento, nos reflexos em movimento, neste mundo de incerteza.
Já
provou um sábio brilhante, que a incerteza é integrante da matéria a parte
menor. Sua energia envolve tudo e vai mudando o conteúdo, origem de força
maior.
Universo
de inspiração das águas da imensidão, de movimento sem termo, das ondas que vão
e vêm. Além dos vivos que passarão, me vislumbra o eterno tempo.
Do
nada, nada surgiu. A essência sempre existiu na eterna transformação. São
infinitos espaço e tempo, e tudo passa como vento, gerando evolução.
Oceano,
o ventre da vida, cuja semente primitiva é daqui ou especial, das misturas
infinitas, eternamente repetidas, formou-se o caldo vital.
Vou caminhando à beira mar e olho ao longe a meditar, sentindo o cheiro da brisa. Sinal de vida nas águas que sorriem nas espumas alvas, beijando a areia incontidas.
A assembleia de
amigos aplaudiu tão bela poesia. E Jussara buscou palavras para expressar seus
sentimentos: “Este encontro provoca em nós um turbilhão de emoções. E nós
precisávamos deste momento”. E, parafraseando Fernando Pessoa, continuou:
“Navegar
é preciso, viver é precioso! E nossa convivência com o Miguelito foi preciosa.
Procuramos navegar por recordações, rios, mares, ondas, calmarias... Se, por um
lado, o que registramos a respeito do muito que o Miguel fez e da sua
relevância na sociedade foi ínfimo, por outro lado, temos a certeza de que
ficou registrado em todos nós que nossas vidas foram definitivamente tocadas
por suas palavras e por sua presença”.
As paixões de Miguel.
Foi chamada a
falar a escritora Rosinélia Bittencourt de Souza, membro da Academia de Letras
do Brasil (ALB-Seccional de Tubarão). Prima irmã de D. Benta, esposa do Sr.
Miguel, falou sobre a convivência com o ‘primo’ e sobre a obra que deixou.
“Hoje,
eu quero prestar minha sincera homenagem a um homem cuja memória deixou marcas
profundas na Cultura, na Literatura e na História de nossa cidade. Miguel foi
fundador da ACATUL e contribuiu de forma significativa para o fortalecimento da
Literatura e para a valorização dos escritores da nossa região. Autor de
diversas obras, dedicou a sua vida à preservação da memória, da cultura e do
conhecimento, tornando-se referência para todos os que o amam e que amam as Letras.
Para
mim, essa homenagem significa algo muito especial porque, além da proximidade
familiar, também sou e fui muito amiga dele. Tive o privilégio de conhecê-lo
desde a infância. Ele acompanhou o meu crescimento, caminhamos juntos.
Acompanhei suas conquistas, sua dedicação incansável ao trabalho e,
principalmente, à Literatura. Nossa convivência foi marcada por amizade,
respeito e admiração mútuos, de forma, de ideias, de palavras...
Enfim,
sei que o Miguel deixou um legado através de suas paixões. A primeira delas é a
Santina. Ele era um homem extremamente apaixonado. Entre os dois, foi amor à
primeira vista. Seus filhos vieram depois.
Sua
segunda paixão: um bom bolero. Ah, como ele apreciava boleros!
Mas
a sua terceira paixão, claro, era a Literatura.”
Homem incansável.
A escritora
também destacou a dedicação de Miguel à sua vida profissional e comentou sua
perspicácia no escrever.
“Miguel
sempre foi expansivo, alegre e dedicado. Sabia muito sobre nossa cidade por ser
um conhecido despachante, profissão que exerceu com muita seriedade e
compromisso; qualidades que marcaram a sua trajetória na Literatura também.
De
suas obras, eu quero destacar ‘O Templo dos Monges’, pois foi através desta
obra (cujo lançamento aconteceu lá no Museu Willy Zumblick) que eu testemunhei
o reconhecimento público de seu trabalho, construído com ficção, dedicação,
pesquisa e amor pela escrita. Ele deixou-nos mais que livros. Deixou-nos, exemplos
de perseverança com a Cultura. Seu legado literário continuará iluminando
futuras gerações.”
Rosi escolheu um
dos poemas do Miguel e o recitou em sua homenagem.
“Os Sons da Noite”
Lembrando
os sons da noite,
nas
noites quentes de verão, todo morro despertava.
Era
o som de um violão e o Terno de Reis que cantava.
Todos
abriram suas portas para receber a cantoria.
Bebidas
eram servidas com carinho e alegria.
A
beleza daqueles cânticos não saía da minha memória;
emocionantes
momentos dos meus tempos de outrora.
Em
altas noites sonhando, o meu sono se interrompia.
Era
a tempestade passando, que as árvores estremecia.
No
meio daquelas noites, quando às vezes despertava,
latidos
de cães distantes, lembravam-nos histórias passadas.
Aves
noturnas eu ouvia no meio da madrugada
e
os galos alegres cantavam, antecipando a passarada.
Na
alvorada dos galos cantando, o céu no horizonte é cor de ouro.
É
aquele mundo despertando, mais brilhante que um tesouro.
E
eu, pequenino, sentadinho, me aquecia ao sol nascente,
e
minha mãe, Dona Bentinha, com voz de carinho,
me
chamava a um lanche bem quente.
Presença que permanece.
Então, Rose
concluiu sua homenagem, novamente, destacando as virtudes de Miguel.
“Miguel,
sua presença física já não está mais aqui conosco, mas a sua voz permanece viva
em cada página escrita, em cada pessoa tocada por suas palavras, em cada
memória compartilhada por nós, seus familiares, amigos, confrades e admiradores.
Ao Senhor Deus do Universo, gratidão pelo privilégio de conhecê-lo e por termos
dividido com ele um pouco do tempo vivido neste universo. Miguel, presente na
história, eterno na memória e imortal em suas obras. Obrigada.”
Somos turistas guiados por Deus.
Figura marcante
em quase todos os eventos da Academia, o Sr. Genésio Antônio Mendes, Membro
Benemérito da ACATUL, sempre desperta nas pessoas o desejo de ser ouvido. E,
nesta Sessão Saudade, emocionado, ele também uniu-se aos presentes na homenagem
ao seu amigo falecido.
“Se
a gente fizer uma retrospectiva da nossa existência nesse planeta, eu que sou
mais idoso do que os outros que estão aqui, acredito que uma Sessão assim tem
grande valor. Por tudo aquilo que a gente passa e vê, acho muito gratificante quando
se recebe uma homenagem, mesmo que nós não estejamos mais aqui, contudo faz bem
aos familiares, amigos e confrades, como estes do Miguel.
A
palavra falada ou escrita, na realidade, para mim só tem validade quando a
gente a coloca em prática, porque deixamos o nosso recado. O que acabamos de
ouvir aqui, trechos da obra do Miguel, já nos revelam muito sobre tudo o que
ele escreveu. E ele era uma pessoa familiar, participativa, trabalhadora e
amiga.
Deus
nos dá a todos a oportunidade de fazermos o nosso ‘turismo’ por aqui. Eu falo
assim, porque, certa vez, me perguntaram o que somos neste mundo e eu respondi,
simplesmente, ‘somos turistas e o nosso guia é Deus’. Se Ele for o nosso guia, irá
levar-nos para o Céu, aonde achamos que todos devem ir. É lá o bom lugar, para
onde a gente só pode ir se tiver uma vida bonita, se a gente tem fé, se a gente
tem esperança e se a gente tem amor.
Quando
a gente segue este tripé, encontra a felicidade e torna-se uma pessoa positiva;
afinal, como ouvimos na Bíblia, ‘a fé remove montanhas’ (cf. Mt 17,20), a
esperança jamais deverá ser perdida e o amor pela família, pelos amigos e pelos
bens que a gente adquire, deve ser cultivado. Realmente, tudo isso dá um grande
sentido para a vida do ser humano.
Deus
sabe perfeitamente o lugar que o Miguel merece junto d'Ele e, um dia, haveremos
de nos encontrar, bem como com todos aqueles que já partiram. Ninguém ficará
aqui para contar a história, mas ficaremos todos na história.
Parabenizo
a ACATUL por este momento tão bonito. Não podemos mesmo esquecer as pessoas que
nos deixaram. A hora da morte, o velório e o momento de fechar o caixão são
três momentos tão dolorosos. O tempo é a melhor medicina para a enfermidade da
alma. O tempo cria tudo e o tempo destrói tudo.
Feliz
daquele que passa pelo tempo e deixa um legado assim como fez o Miguel. Que
Deus o tenha num bom lugar.”
A homenagem póstuma.
Na parte final
da Sessão Saudade, os acadêmicos Marilene e Gilmar Corrêa entregaram, às filhas
do Sr. Miguel, uma placa de homenagem ao escritor, com os seguintes dizeres:
“Com
tão vivas lembranças, sua presença continua. Com respeito, admiração e saudade
homenageamos o confrade Miguel Fernandes Alves”.
O acadêmico Gilmar
aproveitou o ensejo para homenagear o confrade falecido.
“Realmente,
todos somos testemunhas de que ele era muito apaixonado pela nossa Academia.
Podemos dizer, também, que ele era apaixonado por Filosofia, pela busca de
conhecimento e por música. Mas o seu amor pela Academia era especial. Sabemos
que esse amor à Literatura, expresso na vida de academia, vinha do fundo do seu
coração.”
Então, uma das
filhas fez um agradecimento.
“Nos
últimos tempos de sua vida, o pai já não tinha mais o discernimento sobre as
coisas devido ao Alzheimer. Mas, de fato, o que o mantinha firme era o seu amor
pela Academia. Por exemplo, ele nos perguntava: ‘faltam quantos dias para a
reunião da Academia?’. E a gente tentava desconversar, dizendo que a Academia
estava de férias. Aprendemos a usar isso como subterfúgio para incentivá-lo a
alimentar-se, a arrumar-se e até mesmo para tomar banho. Gente, por tudo, muito
obrigada!”
Jussara
encaminhou o encerramento das homenagens, dizendo:
“Tudo
que a gente viveu aqui hoje, nos faz lembrar o quanto a Academia é importante
para nós. Todos nós aqui já passamos por perrengues e situações difíceis na
vida, mas parece-me que há um ‘fiozinho vital’ que vai nos amarrando e não permite
que nós caiamos no abismo. Eu chamo isso de amizade, de fraternidade! E, mesmo
no meio de um furacão, brigando e conversando e discutindo e refletindo e nos
aproximando... Posso dizer que é muito forte essa nossa amizade. Trata-se de
uma amizade escrita tanto pela letra, quanto pela vida. É algo que nos faz
transcender. E o Miguel foi e será sempre muito importante para todos nós”.
Concluindo,
oficialmente a Sessão, Marilene fez os agradecimentos, com deferência à
Diretoria do SESC, que sempre foi parceira da Academia, disponblizando suas
dependências para os concorridos Cafés Literários. Recordou, inclusive, que a
ACATUL, em 2012, outorgou à instituição o troféu “Amigo da ACATUL”.
Emoção
e legado.
Particularmente, como membro da Academia, eu
não convivi diretamente com o memorável confrade Miguel, mas o conheci e nos
cumprimentamos algumas vezes em eventos da ACATUL naqueles idos anos.
Por isso, ao longo desta Sessão, mantive-me
atento a cada palavra e a toda expressão de emoção de meus colegas presentes. Tais
senhoras e senhores tão ilustres por seu comprovado saber e reflexão,
emocionavam-se a todo momento; e eu, no silêncio, acompanhei algumas lágrimas
em seus olhos; e deixei-me emocionar também.
As poesias e o texto do homenageado que foram
lidos nos fizeram lembrar do quão culto era o Miguel e do quanto todos ficamos
empobrecidos com sua ausência.
Cheios de afeto, os depoimentos dos amigos
foram profundos, sinceros, sem nenhuma preocupação com quimeras literárias, mas
repletos de ‘espasmos’ do coração. Mui especialmente, a presença das jovens
filhas trouxe um pouco (que é muito!) de consolo pela ausência física do seu
pai homenageado.
Uma Sessão Saudade assim liberta a alma, cura
feridas, aproxima-nos de nossas essências e faz-nos sentir importantes para os
outros, igualmente importantes para nós.
Parabéns à cidade de Tubarão! Parabéns à nossa
Academia literária! Cresçamos sempre na arte de manter a memória dos que nos
precederam, sabendo valorizar aqueles que ainda estão conosco, preparando um
nobre legado para as gerações que nos sucederão.
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História
de Albertina – narração: Pe. Auricélio e seus pais Sebastião e Osmarina – https://www.youtube.com/watch?v=D18M67Tpunc
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