(05/04/2026) A leveza que se sentia no ar, nesta noite de
Domingo da Páscoa, quando nos reunimos para a Santa Missa, na matriz São
Martinho, em Tubarão, era por conta da Graça de Deus celebrada ao longo de toda
a Semana Santa.
As lideranças, mais empenhas nas diversas funções litúrgicas
e preparativas para as celebrações, sentiam-se aliviadas e recompensadas pelo trabalho
realizado e por terem ajudado a comunidade a celebrar sua fé. Os demais fiéis
estavam contentes e ainda tocados com tantas oportunidades ricas para bem
comemorarem a Páscoa.
Também o padre, pois havia conseguido cumprir a agenda
proposta com doze celebrações, mais as homilias, as Confissões, atendimentos de
fiéis, encaminhamentos de atividades e algumas visitas extras a enfermos.
Realmente, para todos, foi uma Santa Semana, repleta do amor de Deus.
A Missa das 19h teve início no horário previsto. A igreja
estava enfeitada com flores brancas e, ali entre a Capela do Santíssimo e o
presbitério, a boca do túmulo permanecia aberta, revelando o sepulcro vazio.
Contudo, no Sacrário e, depois, no altar, o Cristo
Ressuscitado estava presente e vivo no Santíssimo Sacramento. Após as leituras
previstas para esta celebração, Pe. Auricélio proferiu sua homilia pascal,
fazendo um retrospecto do Tríduo de Páscoa.
Experiência quenótica.
Neste Tríduo Pascal nós refletimos, celebramos e fizemos
memória dos principais momentos da vida de Jesus em vista de nossa Salvação.
Considerando que o Senhor fez um ‘esvaziamento
de Si’ (cujo termo técnico grego é ‘kenosis’),
como vimos na Quinta-feira Santa, podemos dizer que Ele decidiu fazer seu ‘primeiro êxodo’, isso é, sua ‘primeira entrega’, quando, sendo Deus, veio
morar com as criaturas e fazer-se criatura também: ‘totalmente Deus, mas também totalmente Homem’ (cf. Col 2,9 e Hb 4,15). Isso
aconteceu no Natal.
Quinta-feira Santa –
a simplicidade do pão e vinho.
Na Quinta-feira nós vimos o Senhor lavar os pés dos
discípulos para ensinar-lhes a lição da humildade, ou seja: quem quiser ser
seguidor do Senhor tem que fazer a entrega de si também. Deve fazer uma ‘saída’ (êxodo pessoal) ao encontro do
outro, como fez Jesus. Tal atitude exige grande espírito de humildade. E Ele lhes
disse: ‘façam assim como Eu fiz’; e,
depois, entregou-se no altar.
Por que não escolheu permanecer conosco através de algo
precioso (tipo uma gema de diamante)? Não, Ele escolheu espécies tão simples:
trigo (pão ázimo, sem fermento) e vinho, como recebemos Eucaristia.
De fato, nós podemos viver sem diamantes, mas sem o pão, não.
A lição é óbvia: Eu sou necessário na vida de vocês, mesmo que vocês ainda não o
tenham descoberto, mesmo que vocês não me deem muita ‘bola’ ou importância... saibam que Eu sou importante para vocês!
A saudade da
Eucaristia.
Nesse momento, quero lembrar de tantos irmãos que não podem
comungar. Talvez você não saiba o que significa para eles, na hora da Ceia (da
Eucaristia, da Comunhão) não poderem entrar na fila como fazem quase todos os
outros. A pessoa que tem consciência do valor de Cristo Eucarístico e que sabe
o que Ele disse na Quinta-feira Santa – ‘isto
é o meu corpo, isto é o meu sangue’, tem consciência de que não se trata de
‘pão bento’! E, por isso, sabe o que significa ficar ter
que permanecer um tempo sem participar sacramentalmente da Eucaristia e, pior
ainda, ficar sem Missa.
Há entre nós um ditado: ‘domingo sem Missa, semana sem
Graça’. A gente sabe disso. Mas essa não é a realidade na vida de um montão de
gente e, talvez, de alguns aqui entre nós. Costumam argumentar: ‘se não der
para participar da Missa, tá tudo bem’, ou ‘Ah, não vou à Missa porque não estou
com vontade’...
Enquanto isso, há pessoas que sofrem quando não podem vir à igreja. Vejam, eu e os Ministros, para a Páscoa, visitarmos quase 50 enfermos em suas casas, somente aqui na matriz.
Com que alegria receberam a Comunhão; e com que pesar expressaram sua impossibilidade de vir aqui. Alguns conseguiriam vir se houvesse um carro à disposição, mas há filhos que não dão importância para isso (alguns nem são de nossa religião e, por isso, desprezam a Eucaristia).
Não estamos tratando de um alimento qualquer, mas, sim, de um alimento para a
vida, para a alma, para alimentar nossa esperança!
A entrega de Si por
amor.
Na Quinta celebramos o Cristo que se fez Pão, Alimento, Sacramento
e convidou-nos a fazermos o mesmo gesto, qual seja, de nos entregarmos para o
bem do outro. Quando eu me ofereço para ajudar o outro, nisso eu me engrandeço
também. Coloco-me como servidor. E como é bom quando se pode ajudar alguém. E,
se acaso a gente precisar, como é bom receber auxílio dos que nos querem bem.
Sexta-feira Santa –
vítima fiel.
Na Sexta-feira Santa, através do teatro, celebramos toda a
Paixão de Jesus. Fez uma entrega livre de si mesmo. Ele não precisava ter
sofrido tanto. Sendo Deus, Ele poderia ter saído ou fugido ou evitado aquele
tormento. No entanto, livremente, Ele assumiu seu papel de vítima imolada, não
porque Ele era um coitado. Absolutamente. Mas porque sabia que precisava
assumir até as últimas consequências todas as profecias a seu respeito e tudo o
que Ele ensinou sobre o Amor. Não teria sentido na hora ‘h’ Ele fugir,
escapulir, evadir-se... Ele assumiu nossa Salvação até o fim!
Ele sabia que não seria fácil. Naquela madrugada, no Jardim
das Oliveiras, enquanto rezava, Ele teve uma visão do padecimento a que seria
submetido. Ele sofreu tanto, não pelas dores das chicotadas e açoites que
previa, mas, sobretudo, pela ingratidão e maldade humanas. Tamanho sofrimento o
levou a suar sangue. E isso só acontece quando uma pessoa está no mais profundo
da dor, da angústia, pois as células sanguíneas mais capilares se rompem. Há pessoas que passam por certos tormentos e,
de repente, percebem manchas no corpo.
Entretanto, Jesus não fugiu da cruz. E quando Ele diz ‘Pai, afasta de mim esse cálice... mas que seja
feita a tua vontade’ vemos o seu lado humano gritando. Também nós dizemos: ‘livra-nos do sofrimento, Senhor’. Ninguém
quer sofrer (não somos masoquistas); tampouco queremos imputar sofrimentos aos
outros (não somos sádicos).
Ele permaneceu fiel.
Jesus humano, não estava fazendo teatro ao logo do processo.
Ele sofreu todas as consequências por ter permanecido fiel ao projeto salvífico
do Pai. Para isso, enfrentou os poderes políticos e religiosos da época. Os homens da religião não reconheceram que Ele
era o Messias. Até hoje, às vezes, a gente tem uma ideia errada de religião, a
respeito do ‘ser Cristão’... Naquele
tempo, muitas pessoas viviam afastadas da verdadeira religião, pois ela estava muito ligada ao poder e ao
dinheiro, como vemos ainda hoje. Por outro lado, Jesus propunha outro estilo de
vida segundo os apelo de Deus. Os reis que
vieram antes, falharam muito, não obstante os profetas lhes exortarem: ‘voltem para o Senhor’.
Jesus fez uma entrega de Si mesmo na Eucaristia e na Paixão.
Aos soldados que O procuravam, disse: ‘sou Eu’. Vimos esta cena no teatro. Depois, acompanhamos a
encenação da Paixão do Senhor. À noite, quando Ele foi morto, nós realizamos uma
procissão com o corpo desfalecido do Senhor. O cântico de Verônica penetrou o
nosso coração: ‘ó homem, ó mulheres, ó
vocês que estão passando por aqui, e não estão vendo o que está acontecendo? Olhem
a dor deste homem; olhem a minha dor e me digam se existe dor maior do que
esta’. Era o Amor sendo assassinado.
Naquela noite, voltamos pra casa com o cântico da Verônica ecoando
em nossos ouvidos. Era um convite para termos mais sensibilidade diante da dor
do irmão.
Irmão, nossa religião não é pessimista, pregando o caos e a
desesperança, como se estivéssemos apenas num ‘vale de lágrimas’ (da Salve Rainha). Nós não negamos os nossos
desafios do presente, porque estamos no mundo, mas Jesus ensinou que nós somos
do Céu.
A Esperança renasceu!
Ontem, numa grande festa, aqui na matriz, celebramos a Bênção
do Fogo Novo, a preparação e a bênção do Círio, renovamos as Promessas do Batismo
e anunciamos a Páscoa. Então, de dentro do túmulo, surgiu Jesus ressurreto!
Hoje nós estamos vivendo esta alegria pascal. Cheios de
esperança, queremos permanecer no caminho do Senhor.
O testemunho apostólico.
A Palavra de Deus que ouvimos hoje confirmou em nosso coração
o desejo de servir a Deus. O medroso Pedro, aquele Apóstolo que havia dito que
jamais trairia o Senhor, por fim, negou-O três vezes. Então, o ‘galo’ da sua consciência ‘cantou’ e ele chorou amargamente. O
choro de Pedro o salvou, pois ele reconheceu a sua pequenez.
Também nós fizemos uma revisão de vida ao longo da Quaresma,
quando nos apresentamos diante do sacerdote para a Confissão de nossos pecados.
E o Senhor nos reergueu com Sua misericórdia e, por isso, com Ele, também nós,
hoje, estamos ‘ressuscitados’.
Na 1ª Leitura, vimos o empoderado Pedro, fora do esconderijo, falar
ao povo: ‘vocês sabem o que aconteceu
aqui em Jerusalém... Porém, Deus O ressuscitou! Nós somos testemunhas de tudo o
que Ele fez em vida e podemos dizer: somos testemunhas da sua Ressurreição! Ele
está vivo!’ (cf. Atos 10,34-43).
Na 2ª Leitura, São Paulo exortou: ‘assim, pois, se vocês creem que Jesus ressuscitou, aspirem (desejem)
as coisas do alto’ (cf. Col 3,1-4).
Perseverar na fé
pascal.
Amados irmãos e irmãs, nestes dias tão ricos que vivemos, nós
fomos resgatados no amor de Cristo! Deixemo-nos tocar por esse amor tão
verdadeiro e tão profundo; um amor que nem a morte consegue destruir. Por isso,
o túmulo está vazio e, daqui para frente, perseveremos no seguimento de Jesus,
em todos os nossos ambientes, nos nossos relacionamentos, até o fim. Amém!
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do filme ALBERTINA: https://www.youtube.com/watch?v=3XggsrQMHbk
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de Albertina – narração: Pe. Auricélio e seus pais Sebastião e Osmarina – https://www.youtube.com/watch?v=D18M67Tpunc
Fotos: PASCOM - SM/TB
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