REFLETINDO A LUZ DE DEUS


        Terminadas as aulas, no portão do Colégio, um grupo de adolescentes brincava com um caleidoscópio, objeto que capta a luz e a reflete com raios multicoloridos produzindo interessantes imagens. E eles se divertiam procurando diferentes ângulos para observarem as mais inusitadas formas.
Esta brincadeira me veio à mente quando refletia sobre a nossa ação evangelizadora. Obviamente que não queremos brincar com esta missão tão nobre que o Senhor Jesus nos confiou. Mas é importante lembrarmos que todo o serviço de evangelização precisa ser reflexo de uma mesma luz: a pessoa do Senhor Jesus Cristo! Ele é o Sol sem ocaso (cf Mt 17,2; Ap 22,5).
Sob o prisma da fé, através da Igreja, podemos observar os efeitos de nossa ação evangelizadora no mundo. Ora percebemos mais destacada a dimensão pastoral, ora a dimensão vocacional, depois a missionária. Também percebemos a luz da dimensão bíblica, e a catequética e o compromisso com a defesa da vida!... Como é diversificada a nossa ação no mundo! Quanta riqueza! Todavia, é importante ter presente que não possuímos luz própria: apenas refletimos a luz do Senhor! Ele, sim, é a Cabeça. Nós somos os membros que compõe este corpo eclesial.
O Documento de Puebla já lembrava que “todos nós cristãos devemos, conforme o desígnio divino, realizar-nos como homens e como cristãos, vivendo o nosso batismo nos seus traços de chamamento à santidade, a sermos membros ativos da comunidade e a dar testemunho do Reino”. E ensinava que “devemos descobrir a vocação concreta que nos permita trazer a nossa contribuição específica para a construção do Reino. Desta forma – ensinavam os Bispos – cumpriremos plena e organicamente a nossa missão evangelizadora” (nº 854).
De fato, não podemos falar de evangelização sem considerarmos nossa vocação humana e cristã. Pois cada um de nós foi chamado especial e pessoalmente pelo Senhor. A luz da animação vocacional precisa, portanto, perpassar toda a nossa vida cristã. Nossos Movimentos e Pastorais, Associações e Organismos eclesiais precisam deixar-se envolver por esta luz e perceber como ela é bonita e fundamental. Ela reflete o sonho de Deus para a sua Igreja.
Por isso, vocação não é privilégio de uns poucos. Absolutamente, é um dom dado com amor! Todo cristão precisa sentir-se chamado, sentir-se especial, sentir-se amado pessoalmente! Esta consciência leva o batizado a perseverar na realização de sua missão no mundo hodierno, enfrentando os desafios do caminho. Há uma certeza em seu coração: “O Senhor me escolheu e me enviou!” (cf Jo 15,16).
É por isso que, no caleidoscópio da fé, toda a Igreja precisa acolher a linda cor da animação vocacional! Evidentemente, sem diminuir a beleza das demais dimensões, que são reflexos da luz que emana do mesmo Sol.
Há dias em que as nuvens não permitem que o sol incida sobre a terra. Também podem aparecer situações em nossa caminhada eclesial que nos levem a ficar acabrunhados ou desanimados. Especialmente neste tempo em que estamos avaliando nossa caminhada pastoral. É comum nos espantarmos com tanto trabalho que ainda precisamos fazer em vista da construção do Reino. Mas não podemos parar!
Esta também é a hora de PLANEJAR o ano que já está se avizinhando. É o Ano da Fé! “Eis que estou convosco todos os dias!” (Mt 28,20). Animemo-nos uns aos outros no Senhor, Rei do Universo! E alegremo-nos, como aqueles adolescentes se divertindo com o caleidoscópio, pois a LUZ de Jesus continua incidindo sobre a Igreja, produzindo obras maravilhosas!

Pe. Auricélio Costa – Promotor Vocacional

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