(03/04/2026) A igreja matriz do bairro São Martinho, em Tubarão, ficou lotada após a encenação da Via-Sacra pela rua central do lugar. A multidão acompanhou o ‘sepultamento’ de Jesus no interior do templo. Não havia enfeites no presbitério e nem toalhas nos altares. As imagens permaneciam cobertas.
Em silêncio, Pe. Auricélio adentrou no recinto, vestindo túnica branca e escapulário vermelho, acompanhado de Ministros e acólitos. Diante do altar desnudado, prostrou-se no chão, permanecendo por alguns instantes, enquanto toda a assembleia o acompanhava silenciosamente. Fazia parte do ritual tal gesto de humildade.
Em seguida fez um oração e teve início a Liturgia da Palavra. Para a proclamação do Evangelho (Lucas 18,1-19,42), outros leitores participaram da narração da trama que contou a prisão, condenação, tortura e morte de Jesus. Ao narrarem a morte do Senhor, todos se ajoelharam em profundo silêncio. No final, ao dirigir-se à assembleia, o sacerdote refletiu sobre os textos lidos.
As ‘entregas’ da
nossa vida.
Para mim, este é um dos momentos mais importantes ou mais
profundamente significativos do Tríduo Pascal, dentre tantos tão lindos que já
vivenciamos desde o Domingo de Ramos. A Leitura da Paixão nos convida a mergulharmos
numa espiritualidade muito profunda. A nossa vida é marcada por entregas; e nem
sempre é fácil fazermos a entrega ou desfazermo-nos de algo ou de um bem ou de
uma pessoa, de um tempo e nem de si mesmo. Gostamos de receber e, de fato,
recebemos tanto dos outros.
Segundo São Paulo, Jesus teria dito que ‘há mais alegria em
dar do que em receber’ (Atos 20,35); e Jesus deu-se completamente. Por isso,
esta tarde é marcada pela entrega de uma vida por nós.
Segundo o Apóstolo, é possível que por um filho, por um parente, por um amigo... talvez alguém até aceitasse morrer. Um pai e uma mãe, sem dúvida, seriam capazes de dar suas vidas pelos filhos. Mas explica que Jesus deu a vida por nós noutra situação: ‘Ele morreu por nós quando ainda éramos totalmente pecadores’ (Romanos 5,8). Ele ainda não nos tinha resgatado da morte e a morte é fruto do pecado; recordemos Adão e Eva no Paraíso.
Não há véu que nos
separe de Deus.
Por conta de sua entrega, Ele desceu à ‘mansão dos mortos’,
como rezamos todo domingo no Creio, abriu os túmulos e libertou os mortos que
estavam lá na região da Morte (Xeol). Era um lugar espiritual sem esperança
alguma, como lemos no Evangelho.
Quando Jesus ressuscitou, e vamos ouvir isso amanhã, os
túmulos se abriram, pois a morte foi vencida e o véu do Templo, uma cortina que
criava uma separação entre o povo e Deus, rasgou-se de alto a baixo.
Os judeus entendiam que Deus morava numa salinha a parte,
chamada Santo dos Santos. Ali, o o sacerdote podia entrar apenas uma vez por
ano. E era um momento muito guardado, tanto que, quando chegou a vez de Zacarias,
Deus lhe comunicou que ele haveria de ter um filho. Como ele duvidou, ficou
mudo. Ao perceber isso, todo mundo entendeu que ele teve uma visão de Deus.
Essa ideia de Deus habitar num lugar físico permaneceu ainda
muito tempo, até mesmo na nossa Igreja. Tanto que, há 60 anos, ainda havia uma
cerca aqui no presbitério separando o Santo (representado pelo padre) da
assembleia reunida (o povo da nave).
A verdade é que, quando Jesus ressuscitou, a cortina que
separava Criador e criatura se rompeu; ou seja, Deus está no meio da assembleia,
junto com o seu povo; e o seu povo está em comunhão com o seu Deus! De modo
que, em todo lugar, nós podemos encontrar a Deus e comungar de sua presença;
inclusive através da nossa oração e dos nossos gestos de amor.
Foi uma entrega por
Amor.
Então, ao lembrarmos a grande entrega do Senhor, temos-Lhe
enorme gratidão no coração. Não foi uma entrega em vão. Ele não morreu por
qualquer motivo ou apenas por um grupinho de seus amigos. Ele morreu por mim,
morreu por você por nós! Esta celebração é um convite para que nós, que somos
cristãos (outro Cristo no mundo), sejamos testemunhas de Jesus. Isso significa
que devemos trazê-Lo dentro de nós, pois Ele mora dentro de nós e em cada
pessoa.
Também somos chamados a fazermos a entrega de nós mesmos. Vivemos num mundo marcado pelo egoísmo, que vai tomando conta de mentes e corações no mundo inteiro; vai se privilegiando o predomínio e o domínio do Eu em detrimento do Nós.
Fazer o oferecimento de si mesmo é celebrar a entrega d’Ele
por nós. Quando cada um pensa apenas em si mesmo, pouco se importa se está
prejudicando o mundo inteiro, ou se suas contas bancárias vão multiplicar por
causa do preço do barril de petróleo consequência da guerra que começou ou
apoiou. Interesses de grandes grupos e de agentes econômicos torna-os ricos em
detrimento do povo que, em muitos países, está à mercê da sorte.
O compromisso
cristão.
Nós somos chamados a fazer uma entrega ‘para que todos tenham
vida’. Deixemos de pensar somente em nós mesmos. Tenhamos um coração capaz de
ser altruísta, em vez de egoísta. Queremos ser uma religião que nos leve a
viver em comunidade e não cada um por si. Ainda existe quem pense assim: ‘ah,
como Deus está em todo lugar, basta que eu reze em casa’. Ou, ainda, ‘eu vou na
igreja quando eu tiver vontade’. Isso é religião sem compromisso com a
comunidade. Imaginem se todos só fizessem apenas aquilo que têm vontade, quando
e como bem entendessem?!
Isso não pode funcionar. Muitos de vocês aqui já tiveram que
ir para o trabalho, ou para a escola ou para seus compromissos, até mesmo a
igreja, quando não estavam plenamente bem. Sei que há liderança que tomou um analgésico
em casa e veio servir a comunidade. Nisso a pessoa encontra alegria e um
sentido para sua vida.
Eu vi, muitas vezes, o meu pai trabalhar com dor nas costas;
e ele nunca fez férias, pois tinha sete filhos em casa (e um filho que queria
ser padre e que precisava pagar os estudos). Também vi, muitas vezes, a minha
mãe preparando o alimento e cuidando da casa cheia de dores; todavia, fazia-se
forte e nunca deixou faltar nada. Certamente, todos vocês têm experiências
semelhantes em suas famílias.
Imitando o Senhor.
A entrega da vida só tem sentido porque é feita por Amor.
Aprendamos pela Paixão a imitarmos o Senhor a fazermos a entrega do nosso
coração. Fará bem para nós mesmos, para as pessoas que estão ao nosso redor e
para todo o mundo. Queremos construir um mundo marcado pelo Amor. Não percamos
o sonho, porque, por esse sonho (o ideal), Jesus foi até à última consequência:
entregou-se por nós.
Em seguida faremos o ‘beijo na cruz’, adorando Jesus que morreu por nós. Vamos fazê-lo no sentido de entrega. Venha com espírito orante, pedindo a graça de ter um coração cada vez melhor. Que este Tríduo Pascal seja, de fato, muito fecundo.
Em continuidade à Celebração, fez-se a Oração Universal da Igreja, apresentando várias realidades da vida eclesial: pelos governantes, pelos catecúmenos, pelos que não creem e assim por diante.
Então, chegou o momento da Adoração de Cristo na Cruz. Diante
de todos, foi apresentado um crucifixo coberto por um tecido vermelho. Aos
poucos, ele foi sendo desvendado, enquanto o padre e fiéis cantavam: “Eis o lenho da Cruz da qual pendeu a
Salvação do mundo. Vinde, adoremos!”. E, cada um na sua vez, aproximou-se
do crucificado para fazer sua veneração à imagem e adoração interior a Jesus
Crucificado nela representado. Neste momento, muitas pessoas fizeram ofertas
para as obras da Igreja nos Lugares Santos.
Em seguida, os Ministros trouxeram a Eucaristia desde a
Capela de Adoração, montada no Centro de Pastoral, e a assembleia recebeu o
Sacramento. Concluída a celebração, as pessoas retornaram para suas casas. À
noite, haverá a Procissão do Senhor Morto, com o Sermão da Soledade.
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História
de Albertina – narração: Pe. Auricélio e seus pais Sebastião e Osmarina – https://www.youtube.com/watch?v=D18M67Tpunc
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