(24/09/2026)
Tubarão celebra, pela segunda vez, o Dia Municipal da Poesia!
A efeméride evidencia a biografia de Alice
Cardoso de Jesus. Nascida aos 24 de setembro de 1927, em Tubarão, pereceu
aos 84 anos de idade, no dia 07 de novembro de 2011, em Florianópolis.
Familiares e amigos mantêm vivo seu legado cultural. No ano passado, a
municipalidade sancionou a Lei nº 6.312/2025 oficializando a instituição do Dia
Municipal da Poesia.
Alice sentiu o despertar de seu coração poeta ainda muito
cedo, mas foi ‘quase muito tarde’ que conseguiu ser alfabetizada e, enfim, registrar
suas próprias poesias.
A homenagem à nossa conterrânea, uma poetisa maravilhosa e talentosa,
leva-me de volta ao tempo dos bancos escolares. Nas minhas memórias, submerjo agradecido
e saudoso.
Retorno às salas de aula do extinto Colégio João XXIII, ali
na Passagem, nas margens do Tubarão, construído num pedaço de chão cedido pela
3ª Cia. de Infantaria. Como não enaltecer as professoras da minha infância se
elas me ajudaram a entender o mundo ao meu redor e o mundo das palavras? E as
palavras me ajudaram a interagir com o mundo dentro e fora de mim.
Benditas redações semanais! E após as correções, deveríamos
apresentar nossos textos aos colegas, diante da classe.
Benditos poemas declamados com fervor diante do pavilhão
nacional, ‘lindo pendão da esperança’! Canarinhos patriotas, jamais
imaginaríamos possível render culto à flâmula de outro país.
No Seminário Nossa Senhora de Fátima, onde ingressei aos 11 anos de idade, encantei-me com a enorme e rica biblioteca e tive professores que amavam livros e Literatura.
Benditos murais onde expúnhamos nossas poesias e redações!
Benditas Sessões Culturais nas quais podíamos declamar nossos
escritos poéticos!
Debruçado sobre um caderno, empunhando a caneta... ou diante
da tela do computador, digitando letras no teclado... Ali está o poeta (seja
homem, seja mulher)... Generosamente, vai esparramando os sentimentos que brotam
de dentro do coração, como aqueles olhos d’água que arrebentam de dentro da
terra e encharcam o chão. Há tanto o que dizer, cada palavra tem peso, cada
frase é carregada de significado... há mensagens subliminares nas
entrelinhas... é a mística da Poesia tornando concreto, no texto, aquilo que o
poeta traz guardado na alma.
Não há um momento propício para o poeta poetizar. Afinal, quando
é que um vulcão ativo entra em erupção? Qual é o exato momento da concepção no
ventre da futura mãezinha? A pós modernidade trouxe-nos o ensejo de tudo
querermos controlar e submeter. Até mesmo na disciplina da fé. Foi por isso que
Jesus de Nazaré, a respeito de Sua vinda derradeira, ensinou: ‘não sabeis nem o dia e nem a hora’.
A qualquer momento do dia, da noite ou da madrugada, o poeta
está sempre atento às manifestações e aos brados de seu coração. Com sua
sensibilidade natural e apurada, vê poesia em tudo. E tenta descrever ‘o que
vê’ e a forma ‘como vê’ garimpando palavras e expressões possíveis.
Precisamos de poesia! Com o advento do desenvolvimento midiático e do crescente (e quase inevitável) uso da Inteligência Artificial, devemos ouvir a constatação do Papa Leão XIV, em sua recente primeira encíclica ‘Magnifica Humanitas’:
“Sobre cada época paira o risco de se construir um mundo desumano e mais injusto. Ali onde a humanidade corre o perigo de perder a sua identidade, nós, cristãos, erguemos os olhos para Deus feito carne... abrindo a cada um de nós a via para crescermos até à plenitude” (MH 01).
De fato, as tribulações e as correrias do dia-a-dia podem fazer de nós pessoas autômatas, sem capacidade de reflexão e, até mesmo, insensíveis diante das alegrias e das tristezas alheias.
Poesia nas escolas! Poesia nos escritórios e lugares de
decisão! Poesia em nosso relacionamentos! Poesia em toda a sociedade!
Deus se revelou Poeta em tudo o que criou, derramando seu
amoroso coração em cada obra criada. Como lemos na poesia do Gênesis: “E Deus viu que tudo era bom!” Gn 1,31).
Deus-poeta caminhou entre nós e nos exortou à sensibilidade:
“Olhai as aves do céu: não semeiam, nem ceifam, nem recolhem nos celeiros e vosso Pai celeste as alimenta. Não valeis vós muito mais que elas? E por que vos inquietais com as vestes? Considerai como crescem os lírios do campo; não trabalham, nem fiam. Entretanto, Eu vos digo que o próprio Salomão, no auge de sua glória, não se vestiu como um deles” (Mt 6,26ss).
Tubarão tem seu
Dia da Poesia! E foi um poeta, o Vigílio Várzea, quem lhe deu o belo codinome “Cidade Azul”.
Tubarão tem uma
poetiza para enaltecer e representar todos os poetas: a Alice Cardoso de Jesus!
Salve a mulher-mãe e a sua negritude, que inscreveu-se no MOBRAL (Movimento
Brasileiro de Alfabetização) e, aos 42 anos de idade, foi alfabetizada. Salve a
autora dos livros “Pérola Negra”, “Chama da Esperança” e “Gotas de Luz”!
Salve a Academia
Tubaronense de Letras (ACATUL) e instituições afins!
ESCOLHER
BEM
(Pe. Auricélio)
Às
vezes, tenho medo da escuridão.
O
fato é que também a luz me desconcerta,
desperta
e alerta o meu corpo, enfim.
Não
sei porque do medo noturno.
Há
algo errado com os anéis de Saturno?
Os
astros tornam a noite mais bela pra mim.
No
breu da noite, caminhar é prenúncio
de
que algo errado pode acontecer,
tem
que se precaver, pois há obstáculos na estrada.
E
mesmo que você não queira acreditar,
há
vozes no vento a lhe avisar.
A
prudência é companheira essencial na jornada.
Ainda
assim prefiro a luz do dia.
Quero
ver a Criação. Sou obra do Criador,
Amor,
Provedor desta criatura em construção.
As
trevas me rondam e ameaçam.
Cheiram
morte, são impiedosas, mentirosas.
Poderosa
é a chama da vera luz. Tempo de restauração.
+ Para celebrar a
data, neste dia 24 de setembro, às 19h, a ACATUL e a Fundação Municipal de
Cultura promovem uma Sessão de Poesias no auditório do CEJA (Centro de Educação
de Jovens e Adultos), em Tubarão.
RECEBEU GRAÇA DE ALBERTINA?
MANDE SUA HISTÓRIA PARA NÓS!
(peauricelio@yahoo.com.br)
Trailer
do filme ALBERTINA: https://www.youtube.com/watch?v=3XggsrQMHbk
História de Albertina – narração: Pe. Auricélio e seus pais Sebastião e
Osmarina – https://www.youtube.com/watch?v=D18M67Tpunc
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MÚSICA
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