(13/09/2026)
“Eu plantei, Apolo regou, mas
Deus é que fazia crescer. De modo que, nem o que planta, nem o que rega,
são, propriamente, importantes. Quem é importante é Aquele que faz crescer:
Deus. Aquele que planta e aquele que rega formam uma unidade, mas cada um
receberá o seu próprio salário, proporcional ao seu trabalho. Com efeito,
nós somos cooperadores de Deus, e vós sois lavoura de Deus, construção de Deus” (1
Coríntios 3,6-9).
Cidade Azul. Novamente
o dia amanheceu chuvoso. Os noticiários referem-se ao El Niño. Há um monte de
gente entendida que tem alertado para as consequências do superaquecimento do
planeta e, particularmente, da água nos oceanos, provocando chuvas e temporais
descontrolados.
Estava coberto
de razão o amado Papa Francisco quando nos exortava, em sua Encíclica Laudato
Sì:
“A terra clama a nós por causa do mal que lhe infligimos com o uso e abuso irresponsáveis dos bens com que Deus a dotou" (LS 2).
Ensinava-nos o saudoso
pontífice que:
“Tudo está conectado. O ser humano não está dissociado da Terra ou da natureza, eles são partes de um mesmo todo”.
Coloco-me diante
da matriz do bairro São Martinho. Não é o templo mais imponente da face da
terra, mas é singelo e belo; é a ‘nossa casa’ e a ‘Casa de Deus’. É nele que
nos congregamos como assembleia reunida e fraterna. Ali, da Mesa da Palavra e
da Mesa da Eucaristia, semanalmente, recebemos o alimento espiritual que tanto
necessitamos para o sustento de nosso ser Igreja viva.
Da varanda da igreja, percorro com os olhos a praça, onde, imponente, sobrevive a velha figueira, testemunha de tantas histórias da comunidade e de cada transeunte que passa pela avenida, ali aos seus pés.
Então, fixo o meu olhar sobre a
construção que se ergue num canto do que, até alguns meses, era o
estacionamento: é a nossa Casa Paroquial que já tem paredes erguidas e se
prepara para receber a estrutura que comportará a lage superior.
Ouvi alguém
dizer: ‘está chovendo dentro da casa do
padre”. É verdade! Por enquanto, de fato, não há telhado e os pedreiros
estão cuidando de levantar as paredes que ainda não foram construídas.
Madeiras, escoras e lajotões já estão depositados ali no canteiro de obras.
Logo o tempo ficará firme e os trabalhos tornar-se-ão mais acelerados.
O Manoel – que
todos conhecem por Del, é o coordenador da Comissão Pró Construção e sempre
atualiza os andamentos àqueles que estão mais afoitos em ver a obra concluída: “está tudo dentro do prazo; fiquem
tranquilos”.
A Campanha do
Cimento deflagrada no dia 11 de abril do corrente ano, quando inauguramos o
início da obra (bem no dia do nascimento da Beata Albertina), já ultrapassou a
quantia de quarenta mil reais em doações. A meta é alcançar os cinquenta mil; e
isso ainda é possível, visto que há uma grande motivação das comunidades da
Paróquia desejosas de verem concluído o projeto e poderem tomar um cafezinho na
Casa do Padre.
Inclusive
pessoas que residem em outras Paróquias e cidades têm dado sua parcela de
colaboração, gerando um belo movimento de solidariedade e comunhão. Era este o
princípio norteador desde o começo: que não se buscasse apenas o erguimento de
um edifício, mas, sim, que houvessem ações concretas para estreitar os laços
fraternos entre as comunidades.
Ou seja, há uma ‘outra
Casa’ sendo edificada através de toda essa motivação que vem somando forças nas
Festas dos padroeiros das comunidades, nos eventos pastorais e celebrativos,
fomentando um clima favorável e positivo do seio da comunidade... É a
Casa-Igreja viva!
Passado o
período das Festas dos padroeiros, toda a Paróquia volta-se para festejar seu
Padroeiro comum, São Martinho. E, além da rica programação religiosa, um Bingão
já está sendo oferecido aos apoiadores do bairro.
As lideranças
têm sido envolvidas nos processos de decisões, através das reuniões, gerando
relações mais maduras e de corresponsabilidade. Enquanto isso, tijolo sobre
tijolo, nas mãos de pedreiros hábeis e experientes, dá forma e faz erguer as paredes
da futura Casa Paroquial.
Eis que agora,
novamente, eu ergo meus olhos para o céu nublado. E sei que por algum tempo, inevitavelmente,
ainda vai chover dentro da construção. Mas, tudo bem. Em dias chuvosos, como
hoje, há quem diga que a chuva é bênção de Deus que se derrama sobre a terra. Amém!
Mas também desejo a bênção do tempo bom, do sol sobre a cidade e do céu azul
anil. Ou seja, tudo precisa acontecer com harmonia.
Também a nossa
Casa-família e a nossa Casa-nação precisam da tal ‘chuva de bênçãos’ e do Sol
vivo, que não conhece ocaso. Igualmente, nossos projetos pessoais e sociais.
De fato, não
podemos viver nossa fé de forma egoísta, porque o nosso Deus revelou-se
Comunhão.
“Que os céus deixem escorrer lá de cima, que as nuvens façam chover a justiça; abra-se a terra, deixando germinar a Salvação e, ao mesmo tempo, brote a justiça” (Isaías 45,8).
Continuemos
perseverantes na caminhada como povo de Deus! Cuidemos da Criação, obra de
Deus, porque, seguindo o conselho do Papa Leão XIV, isso “torna-se uma questão de
fé e de humanidade”.
A meteorologia está apontando mais chuva sobre Tubarão ao
longo deste dia. E o relógio não para nunca. Os pedreiros não vieram hoje...
amanhã, quem sabe?! Não obstante, faça chuva ou faça sol, há uma Casa a
construir.
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(peauricelio@yahoo.com.br)
Trailer
do filme ALBERTINA: https://www.youtube.com/watch?v=3XggsrQMHbk
História de Albertina – narração: Pe. Auricélio e seus pais Sebastião e
Osmarina – https://www.youtube.com/watch?v=D18M67Tpunc
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