(15-16/07/2026) Os Presbíteros e os Diáconos
Permanentes da Diocese de Tubarão estiveram reunidos, nestes dois dias de
julho, na Casa de Encontro Dom Anselmo, em Tubarão, para aprofundarem seus
conhecimentos e percepções acerca do tema “O
Presbítero no Contexto Digital”. A Pastoral Presbiteral, liderada pelo Pe.
Elias Della Giustina, chamou um especialista no tema, o professor Pe. Arnaldo,
de São Paulo, que é assessor da CNBB e que, em breve, deverá publicar um livro
com tal temática.
A saudação inicial foi feita pelo Sr. Bispo, D.
Adilson Pedro.
“Noutro dia (17/06), quando
ainda não havia sido publicada oficialmente a Encíclica ‘Magnifica Humanitas’, do Papa Leão XIV, durante a Assembleia dos
Bispos (CNBB), o
Ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho (TST) foi convidado e leu a Introdução da Encíclica ‘Rerum Novarum’, do Papa Leão XIII. Tal
pontífice, em 1891, diante da ebulição do socialismo, da revolução industrial,
do advento dos movimentos sociais e da classe trabalhadora, escreveu sobre a
dignidade dos trabalhadores, daquela gente simples. Foi uma grande Encíclica
que marcou a visão da Igreja com as causas sociais.
O Ministro trouxe consigo, também, um exemplar da Exortação Apostólica ‘Dilexi Te’, do Papa Leão, sobre o amor aos pobres. E fez um parelelo entre aquele tempo de incerteza trazido pela Revolução Industrial e a problemática do operariado.
Naquele período, a Igreja suscitou tantas obras sociais, como a
Ação Operária Católica e alguns movimentos de cooperação; agora, diante de
outra grande problemática, o Papa Leão XIV aborda a questão da Revolução
Digital, em que o ser humano precisa ser cuidado.
Como nós iremos
responder aos desafios deste nosso tempo? As Diretrizes Gerais da Ação
Evangelizadora da Igreja do Brasil (DGAEI) nos orientam que é preciso ‘escutar os sinais dos tempos e o discernimento
no Espírito’. A Inteligência Artificial (IA) não pode fazer esse
discernimento.”
O professor iniciou suas reflexões dizendo que
a problemática relativa ao mundo digital traz “uma crise e gera oportunidade para o anúncio do Evangelho”. O
problema é quando o domínio da técnica tenta se sobrepor em nossas vidas. Para isso,
ele fez uma distinção entre ‘tecnologia’ e ‘tecnocracia’. Tecnologia é o benfício
que dá extensão às limitações humanas; como, por exemplo, o invento da roda ou dos
meios de transportes... Já tecnocracia tem a ver com a cessão de espaços
meramente humanos às tecnologias; ou seja, “o
homem deixa-se dominar pelas tecnologias. E isso tem enorme impacto em nossa
vida e em nossos comportamentos”.
Constatando que todos nos relacionamos através das redes
sociais, o Pe. Arnaldo citou o teólogo Romano Guardini: “A tecnologia fica cada vez mais automatizada e o ser humano vai
perdendo suas capacidades de decisão, vai sofrendo um desenraizamento”.
Ao usar fórmulas matemáticas pela tecnologia,
chamadas ‘algorítimos’, visa-se manter a pessoa conectada o maior tempo
possível. Assim, a IA tenta copiar a IH (Inteligência Humana) em seus
processos; porém, somente a IH pode usar de liberdade e autonomia.
“Nós já estamos envolvidos no mundo digital. Daí advém a
questão: como ser Igreja nestes ambientes. A Igreja é a única instituição que
tem feito uma reflexão sobre a questão ética, abordando a dignidade da pessoa
humana e a sua centralidade em relação às mudanças tecnológicas. Tal
desenvolvimento tecnológico deve favorecer, por exemplo, à causa da paz. Portanto,
não pode ficar nas mãos de instituições e grupos. Elas provocam transformações
muito rárpitas. Por isso, exigem corresponsabilidade humana.”
O professor questionou: “Como resgatar a espiritualidade dentre a IA?”. E explicou que, de
fato,
“nós todos estamos o tempo todo conectados a recursos tecnológicos.
E isso faz surgir uma nova Antropologia, isto é, um novo entendimento sobre o
ser humano, impactamdo em questões de Sociologia e de Teologia. Há muitas
pessoas que estão buscando experiência espiritual apenas no ambiente digital. É
preciso que cultivemos espaços físicos que favoreçam o encontro, a presença e a
relação Eu – Tu. Milhões de pessoas se conectam para assistir uma ‘live’
religiosa. O Papa Francisco disse que ‘a plenitude do encontro está no plano
físico, mas não exclui os encontros virtuais’. O encontro físico é onde o ser
humano se reconhece”.
Ao longo do estudo, falou-se da superficialidade dos
relacionamentos digitais, do pertencimento a certas ‘bolhas digitais’ que nos
fecham ao mundo, das consequências da grande exposição (dificuldade de
concentração, de ter pensamento crítico, na capacidade de análise e
cognição...), sobre as ‘fake-news’ (informações mentirosas, incompletas ou de
forma descontrolada), da questão dos ‘cancelamentos’ de pessoas e destruição de
reputações, a respeito da hiperconexão que dificulta a vida espiritual, da
criação de ‘filtros’ pessoais, culturais e tecnológicos...
Nestes dois dias, refletiu-se sobre o anúncio
do Evangelho pelos instrumentos midiáticos, que deve ser acompanhado de
testemunho e coerência. Como disse o Papa Bento: “o Cristianismo não cresce por estratégias, mas no encontro com as
pessoas”; o que foi ratificado pelo Papa Francisco: “A Igreja cresce por atração”.
Boa parte do Curso foi para estudar alguns
aspectos da “Magnifica Humanitas”,
que trouxe muitos elementos que precisarão ser retomados em outras ocasiões,
dada a importância e necessidade que se percebem no dia-a-dia eclesial.
Em meio ao breve período de estudos, celebrou-se a Santa
Missa, que foi presidida por D. Adilson.
“Hoje, no Evangelho,
ouvimos Jesus rezar: ‘Eu te louvo, ó Pai,
porque escondeste essas coisas aos sábios...’ (Mt 11,25-30). Deus derrama
sobre nós, pequeninos, suas graças, os dons e a riqueza da fraternidade e da
simplicidade (pobreza). Deus escolhe os pequenos. Pensemos em nós e nas pessoas
ao nosso redor, na missão; percebamos sua simplicidade e generosidade.
Sempre que visito os
Santuário, inclusive o da Beata Albertina, ficou atento nas expressões de fé.
Nós, padres, nos consideramos ‘sábios e
entendidos’; mas, nas Salas de Exvotos, não se encontram sinais de graças
alcançadas pelos padres e bispos. Os pequenos sabem agradecer pela encarnação
de Cristo. E nós podemos achar que sabemos ‘mais
das coisas de Deus’ do que outros. Talvez, isso seja uma tentação.
Entretanto, Jesus nos
convida a termos, cada vez mais e mais, uma profunda intimidade com o Pai. Que
a nossa oração – e até nossa manifestação de piedade popular – seja uma forma
de comunicação com a Graça de Deus mais curta, mais pura e mais transparente.
Portanto, desafiados
pelos estudos que fizemos, pela realidade do mundo digital, sejamos peritos,
também, naquilo que concerne ao conhecimento das ‘coisas’ do Pai.”
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Trailer
do filme ALBERTINA: https://www.youtube.com/watch?v=3XggsrQMHbk
História
de Albertina – narração: Pe. Auricélio e seus pais Sebastião e Osmarina – https://www.youtube.com/watch?v=D18M67Tpunc
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