PE. JONATHA JOSÉ – O FILHO DE JOÃO E MARIA É ORDENADO PRESBÍTERO EM TUBARÃO

(14/08/2026) Existem coisas que somente quem as experimenta é que consegue (talvez) descrevê-las. Estou pensando nas ‘coisas do coração’ e, então, explicar sentimentos, afetos e vivências constitui sempre um terreno lamacento e incerto. Também, um dia, há longínquos 31 anos, neste mesmo templo, tive a graça de prostrar-me diante de Deus, do Bispo e da Igreja orante e entregar-me aos cuidados da Providência e ser ordenado presbítero.

A Celebração Eucarística

Na Catedral de Tubarão, nesta sexta-feira, 14 de agosto, sob os auspícios da Senhora da Piedade, testemunhamos um outro jovem viver uma experiência semelhante àquela que eu e tantos colegas vivemos. O Diácono Jonatha José de Medeiros foi ordenado presbítero da Igreja do Senhor!

Templo lotado. Pessoas de todos os lugares da Diocese e de fora dela também, vieram prestigiar a Ordenação Presbiteral de seu parente ou amigo ou conhecido. Ambiente tranquilo. Deus está presente. Música, ornamentação, equipe de liturgia, diáconos, padres e Bispos paramentados. Há um sentimento de gratidão e sensação de estarmos tocando o mistério.

Penso em dois padres que estariam muito felizes se estivessem ali presentes: o Pe. Raimundo Ghizoni, que foi Cura da Catedral por muitos anos e que ontem completaria 101 anos de vida; e o Pe. Bertilo Schmit, que igualmente morou e colaborou na Catedral, e foi quem me chamou para ingressar no Presbitério, no dia de minha Ordenação.

A vocação do novo sacerdote brotou no seio familiar. E ali, logo nos primeiros bancos, a assembleia contemplava e emocionava-se com a presença da família do ordenando. Pais, irmãos, avós... e o povo da Vila Pantanal, a comunidade Nossa Senhora Auxiliadora, que testemunhou o menino Jonatha transformar-se num homem querido por todos, que vivia espalhando sorrisos e sempre disposto a ajudar as pessoas.

D. Adilson Pedro Busin/CS, Bispo de Tubarão, presidiu a Celebração Eucarística, concelebrada pelo Bispo de Lages, D. Gilson Meurer e dezenas de padres e Diáconos (permanentes e transitórios).

Na assembleia, havia serenidade nos olhares e feições. A presença de um grupo de surdos e das intérpretes de Libras também impressionou a todos, revelando uma dimensão da Igreja tão importante: aquela que acolhe e integra.

Jovens vocacionados e vocacionadas, e também os religiosos e religiosas, enriqueciam a família eclesial. Os dois padres angolanos presentes, missionários em nossa Diocese, de especial maneira lembravam a universalidade da Igreja e do belo presente que a África nos oferecia: o Jonatha, um afrodescendente subindo os degraus do altar.

Mensagem do Bispo ordenante

Em sua homilia, D. Adilson ateve-se ao lema que o Diácono escolheu para nortear e sulear o seu ministério presbiteral: ‘Amei-te com amor eterno!’ (Jeremias 31,3).

Jonatha, tu também deste um Sim lá no começo: ‘Tu sabes que eu te amo’. Depois, no caminho formativo e até o dia de hoje, quando o teu Sim se reveste de um ministério ordenado, consagrado e ungido, dizes: ‘Tu sabes, Senhor, que eu te amo’. Mas o teu Sim será eterno, ‘segundo a ordem do rei Melquisedeque’!

O Bispo destacou a importância do anúncio da Palavra.

O padre é servidor da Palavra, ser profeta da esperança como Jeremias. Chamou-te e te constituiu profeta desde o Batismo, como a todos nós. Agora, porém, Ele te elege para seres um servo ungido, um anunciador da Sua Palavra. Deu-te o Espírito que te impele a seres evangelizador no meio da multidão, com os olhos e os ouvidos de Jesus, com as mãos de Jesus! Assim como a Igreja é a ‘tenda’ de acolhida para todos; da mesma forma, tu serás padre, templo vivo do Espírito Santo, para acolheres a todos os que encontrares ao longo do caminho da tua missão. És chamado a compartilhar todos os dons na Igreja. Assumirás, então, a oração por ti e por todos os que a missão te confiar.

O ritual de entrega

Ao longo do Ritual de Ordenação, toda a assembleia permanecia atenta a cada gesto previsto: o chamamento do Diácono, o diálogo com o Bispo (apresentação do propósito e promessa de obediência), a prostração durante a Ladainha de Todos os Santos, a imposição das mãos dos sacerdotes, a Oração Consecratória, a vestição dos paramentos presbiterais, a unção das mãos, a entrega da patena e do cálice, o cumprimento de acolhida ao novo presbítero, o abraço da família e a concelebração, pela primeira vez, do mistério eucarístico.

Eis um novo sacerdote no presbitério, junto ao altar! Toda a Igreja festeja e louva o Senhor! Agora, está lá o Pe. Jonatha José! Louvado seja Deus!

O testemunho do ex-formador

Após a Comunhão, em ocasiões como esta, há sempre uma expectativa pelas homenagens e agradecimentos. O primeiro a falar foi o D. Gilson, que foi formador do neo-sacerdote.

Caminhamos juntos alguns anos durante sua trajetória no Seminário de Teologia. Tenho a certeza de que, pelas muitas qualidades que o Pe. Jonatha demonstrou neste período, e que os seus colegas podem testemunhar, ele tem muito a servir aqui, nesta Igreja de Tubarão. Aliás, gostaria de levá-lo para Lages!

Como todos nós, ele possui qualidades e defeitos; é um ‘vaso de barro que carrega um grande tesouro’, como disse São Paulo.

Tenho certeza que você, Pe. Jonatha, colocando a serviço os tesouros que Deus está lhe confiando hoje, sem dúvidas, irá servir bem a esta Igreja. Parabéns, por sua Ordenação! Parabéns à sua família! Gratidão à família que cedeu esse filho para toda a humanidade.

Acolhida no ‘conselho dos anciãos’

Também dirigiu-se ao novo sacerdote, o Pe. José Eduardo Bittencourt, Pároco de Capivari de Baixo e membro da Coordenação da Pastoral Presbiteral.

A palavra ‘presbítero’ (presbyteros - πρεσβύτερος) vem do grego e está ligada à ideia de ‘conselho dos anciãos’. Na Igreja, ser ancião não é questão de idade, mas sim de maturidade na fé, de sabedoria espiritual, de responsabilidade diante do povo de Deus.

Por isso, Pe. Jonatha, embora ainda tenhas pouca idade, a partir da Ordenação que acabas de receber, passas a fazer parte do nosso presbitério e torna-te ancião. Ancião, como disse, não pelos anos que carregas, mas pelo dom que recebeste, pela missão que te foi confiada e pelo serviço que assumes em benefício do povo.

Em nome da Pastoral Presbiteral desta Diocese, e do Pe. Elias, seu Coordenador, e de todos os demais irmãos presbíteros, recebe nosso abraço fraterno.

A partir de hoje, caminharás nesta nova família, a família presbiteral. Aqui encontrarás irmãos para caminharem, celebrarem e aprenderem contigo e, inclusive, te sustentar nas dificuldades e alegrarem-se contigo nas conquistas do ministério.

Que o Senhor te conceda um coração de Pastor, mãos generosas para servir, ouvidos atentos para escutar e a graça de nunca esquecer que o sacerdócio não é apenas um ministério que exercemos, mas uma vida que entregamos.

Seja bem vindo, Pe. Jonatha ao nosso presbitério, à nossa família! Que Nossa Senhora, Mãe dos Sacerdotes, te acompanhe e que São João Maria Vianney, nosso padroeiro, interceda por teu ministério. Bem-vindo!

Então, chegou o grande momento do ordenado fazer seu pronunciamento. Visivelmente tomado de emoção, mas aparentemente tranquilo, o neo-sacerdote brincou dizendo que leria apenas algumas páginas para agradecer.

O Amor de Deus primeireia

Antes de mais nada, quero agradecer a presença de cada um que me acompanhou nesta minha história vocacional. Ao chegar esse dia tão esperado, o meu coração só pode responder com gratidão. Olhando para a minha caminhada, independentemente de qualquer resposta minha, houve o Amor de Deus que me chamou, me sustentou e me conduziu.

O sacerdócio que hoje recebo é, antes de tudo, fruto desse Amor eterno que nunca me abandonou e me atraiu com a misericórdia. Agradeço, sobretudo a Deus, Autor da vida e da minha vocação.

Obrigado, Senhor, por teres olhado para mim com misericórdia e por me chamares a configurar minha vida a Cristo, o Bom Pastor.

Agradeço a D. Adilson, nosso Bispo, por sua proximidade, pastoreio e paternidade. Conte sempre comigo. Respondo de modo generoso e disponível à missão que o senhor me confiar (embora eu ainda não saiba ao certo, mas já a acolho).

Um olhar à Paróquia natal

Agradeço, de modo especial, a minha Paróquia de origem, da Imaculada Conceição, e à comunidade N. Sra. Auxiliadora, bem como as demais comunidades desta Paróquia, onde minha história vocacional começou e onde aprendi a dar os primeiros passos a serviço da Igreja.

Aos padres Paulo Rodrigues e Itamar Faísca Nunes quero dizer-lhes da minha alegria e da gratidão que sinto emanar de meu coração por tudo o que fizeram em meu favor, pelo incentivo, pelas orações, pela proximidade e por nunca deixarem de acreditar em mim. Jamais esquecerei cada gesto silencioso de vocês.

Pe. Itamar, embora eu saiba que o senhor não se sente bem ao ser homenageado, mas, hoje, quando o senhor celebra 22 anos de ministério presbiteral, é uma graça compartilhar a vida com o senhor neste início de meu ministério; pois o senhor, para mim, foi um exemplo de humildade, mansidão, acolhida e generosidade.

Os senhores me animam a continuar na missão e a enxergar um Cristo próximo, que ama e que se doa. Obrigado por caminharem comigo e me ensinarem, com suas vidas, como devo ser padre.

Os formadores

Recordo, com carinho, todas as etapas de minha formação; os seminários, as faculdades, as experiências pastorais... desde Brusque, Tijucas, Laguna e Catedral. Aos formadores, diretores espirituais, psicólogos, sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas, leigos e todos os demais que me ajudaram a crescer nas dimensões humana, espiritual, intelectual e pastoral. Foram anos de desafio, de crescimento e, sinceramente, a todos, meu muito obrigado.

Agradeço, nominalmente, aos meus formadores, pois estão todos aqui: D. Gilson, Pe. Eduardo Rocha, Pe. Willian de Jesus, Pe. Paulo Stüepp e Pe. Rodrigo J. da Silva. Vocês me ajudaram a crescer em todas as etapas deste processo de discernimento. Aos demais padres e diáconos, muito obrigado pelo seu testemunho e incentivo.

Benfeitores

Caros padres, hoje eu inicio o meu ministério na unidade, como um irmão mais novo. Por isso, peço-lhes paciência, pois não acertarei sempre. Sua amizade e seu testemunho – e, sobretudo, suas orações para que eu permaneça fiel ao chamado que recebi e para que eu nunca perca a alegria de servir.

Obrigado ao Pe. Eduardo, por ceder a Catedral para vivermos este momento aqui, juntos. Este templo, ao acolher o povo de Deus, testemunha a entrega de minha vida de modo mais definitivo ao serviço da Igreja. Obrigado.

Agradeço a todos os que ajudaram a preparar esta Celebração, assim tão bela... (...) aos colegas das pastorais, da caminhada... tantos, tantos, tantos! A fonte da amizade nunca se esgota! Também aos meus benfeitores e dos demais vocacionados, gratidão por cada gesto e cada oferta. Deus os recompense abundantemente.

A família

À minha família, especialmente aos meus pais, irmãos e avós. Quanto amor, cuidado e oração! Obrigado por serem sempre Casa. Eu sempre soube que, mesmo nas dificuldades, eu tinha para onde voltar. Continuem rezando por mim, pois a missão está apenas começando.

O bom propósito

Diante de Deus e da Igreja, não recebo apenas uma missão: entrego a minha vida! Quero fazer do sacerdócio uma resposta cotidiana ao amor que, por primeiro, Deus teve por mim. Eu sei que irei errar, mas buscarei acertar sempre, buscando fazer o melhor, servindo com humildade, alegria e disponibilidade.

Tenho a certeza de que o Senhor sempre esteve comigo. Exorto os vocacionados a perseverarem na escuta ao Senhor. E que Deus abençoe a todos vocês, irmãs e irmãos. Muito, muito, muito obrigado!

Então, o novo sacerdote chamou ao presbitério todos os seminaristas, vocacionados e religiosos. Com os padres, entoaram o ‘Hino do Seminário N. Sra. de Fátima’; e, com a assembleia, rezaram à Nossa Senhora da Piedade.

A Celebração, após bênção, terminou muitas fotos e abraços no Pe. Jonatha. Felizes e agradecidos, todos retornaram para suas famílias e missões, certos de poderem contar com mais um operário para a messe do Senhor.

Por fim, quero registrar uma observação. Duarante a Missa, ali perto de nós, padres, mas noutra fileira de bancos, chamava-me a atenção um jovenzinho que estava tomado de emoção e várias vezes chorava, tentando esconder o rosto. Eu não sei o que se passava em seu coração, mas lembrei-me de tantas vezes que, ainda adolescente e participando de Ordenações, eu tinha a mesma reação daquele rapaz. Então, rezei por ele e sonhei que, um dia, talvez seja ele mais um filho de Deus a subir ao altar como presbítero.

‘Amei-te com amor eterno!’ (Jer 31,3).


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