MISSA MARCA O ENCERRAMENTO DO 14º ÉFETA – JOVENS CAMPISTAS INICIAM SUA MISSÃO

(30/08/2026) O Santuário é sempre um local de encontro com o Santíssimo, onde se pode ‘tatear o mistério’, encontrar-se com o próprio ‘eu interior’ e restaurar sua dimensão espiritual e social.

Erguido no alto de uma colina em São Luiz, localidade de Imaruí (Paróquia de Vargem do Cedro), o Santuário Diocesano é um monumento à fé em Deus e homenagem ao testemunho da Virgem e Mártir Albertina Berkenbrock.

A força do testemunho

A adolescente ali nascida em 11 de abril de 1919, filha de Henrique e Josephina Boeing Berkenbrock, viveu de tal modo sua fé cristã que recebeu a alcunha de Nossa Santinha. Por resistir a uma tentativa de estupro, para não cometer pecado, ela foi martirizada. Era a tarde de 15 de junho de 1931. Transcorridos vários anos, em 20 de outubro de 2007, em Tubarão, ela foi declarada Bem-Aventurada pela Igreja, através do Papa Bento XVI.

Dentro deste contexto, há mais de dez anos, neste lugar, acontecem Acampamentos de Jovens chamados ÉFETA. Promovidos pelo Núcleo de Evangelização Beata Albertina, visam oportunizar aos jovens um encontro especial com Jesus Cristo e Sua Igreja, ajudando-o a repensar seu viver e seu ser cristão.

Fé vivida e celebrada

Ao entardecer deste domingo, 30 de agosto, encerrando o Mês Vocacional, uma multidão lotou a nave do Santuário, em São Luiz. Eram campistas e seus familiares que se congregavam para a Santa Missa de encerramento da 14ª edição do ÉFETA.

Os tradicionais balões alaranjados, brancos e marrons pendurados na entrada do templo enfatizavam o clima era de festa. No interior do templo, o missionário André Vilela, Pregador do Acampamento, encaminhava o final de sua palestra aos familiares dos campistas, quando fogos de artifício avisaram que os jovens estavam chegando.

Saíram do sítio onde eles permaneceram acampados desde a manhã de sexta-feira e vinham descendo a estrada lateral do Santuário. De dentro do templo, os fiéis, ansiosos, ouviam os brados dos jovens: “Aqui tem jovens ‘efetados’!”. Houve um frisson na assembleia. A equipe de Animação, juntamente com o Ministério de Música, cantaram e coreografaram a canção de acolhida: “Ah, como aqui é bom!... Não existe lugar no mundo como o ÉFETA!”.

Os campistas veteranos organizaram-se no corredor central da igreja, formando um túnel vivo para acolher festivamente os novos membros da ‘família efetada’. Foi uma festa! Momento de grande emoção! Os familiares em pé, subindo nos genuflexórios para tentar enxergar seus filhos e parentes. Olhos marejados, lágrimas pelo rosto e coração explodindo de alegria. Como Deus é bom e maravilhoso!

A Palavra de Deus e o testemunho dos irmãos

A Missa foi presidida pelo Pe. Auricélio, Pároco de São Martinho, em Tubarão, e concelebrada pelo Pe. Jerônimo, Pároco de Pescaria Brava, que fez a homilia. O jovem sacerdote iniciou sua reflexão citando o profeta Jeremias.

‘Seduziste-me, Senhor e deixei-me seduzir. Foste mais forte. Tiveste mais poder!’ (Jer 20,27). Neste Acampamento, Deus falou diretamente ao nosso coração. E, em vários momentos, ao conversar com vocês, eu frisei a palavra: ‘preparação’. Trata-se de uma atitude que nos leva a bem dispor o coração para que ele seja ‘seduzido’, isto é, ‘enxarcado’ pelo Amor de Deus.

Pois não queríamos que o Senhor nos encontrasse de qualquer jeito. E fomos, então, nos preparando para fazermos uma verdadeira experiência de encontro com o Senhor Jesus. E eu posso dizer às famílias aqui presentes: através do filho de vocês, Deus também iniciou a preparação do terreno de sua família para que Ele possa agir. Portanto, não nos prendamos às dificuldades do caminho, mas, olhando pra frente, miremos no Senhor, o Cristo que nos chama e nos seduz, deixando-nos tranformar interiormente. Ele nos sutenta com Sua força e nos toma pela mão.

No Evangelho, ouvimos a proclamação de Pedro a respeito de Jesus: ‘Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!’ (Mt 16,16). Pode acontecer que, quando chegar a nossa vez de proclamar quem é Jesus para nós, nós estejamos vacilantes na fé. Então, Jesus nos diz: ‘Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga’ (Mt 16,24). 

É necessário deixarmos que Ele nos conduza e seguirmos atrás dos Seus passos. Não queiramos caminhar sozinhos; andemos com Jesus! A experiência desse encontro com Ele moverá o nosso coração para testemunharmos a nossa alegria de ser cristãos de verdade. Já não conseguiremos guardar tamanha graça apenas para nós.

Neste momento, alguns jovens, representando suas ‘famílias’ de campistas, testemunharam publicamente suas experiências do Acampamento. Falaram os novos campistas Isadora Custódio (São Francisco), Renan (São José), Maria Antônia (Sta. Terezinha) e Núbia (São Luiz Gonzaga). 

Ele comentaram as resistências interiores e outras dificuldades que quase os impediram de participar do evento; mas, também, sobre a alegria de terem resistido aos desafios, testemunhando a respeito do Amor de Deus que experimentaram, e que desejam cultivar na família e na igreja que frequentam. De fato, é muito importante que se apresentem aos seus Párocos e busquem espaços de participação na comunidade paroquial.

A mensagem do Coordenador

Durante a Celebração, fez-se memória dos ‘efetados’ que já estão no Céu: o Leonardo, o Érick, o Pedro Hoepers, o Ailton e o Vinícius.

Após a Comunhão, o Coordenador Geral do 14º ÉFETA, o Cleison Vandresen, de Rio Fortuna, manifestou-se para agradecer aos colaboradores.

Posso dizer-lhes que estou mais tranqüilo agora, ao chegar neste momento, visto que coordenei também o 13º Acampamento. Apesar da experiência, os perrengues da missão são quase sempre os mesmos.

Quero agradecer a vocês por tudo, especialmente aos coordenadores dos vários setores, que assumiram a missão ao meu lado. Tiveram a oportunidade de dizer e viver o seu Sim. Alguns justificavam: ‘mas, eu nunca trabalhei nesse setor’; então, eu lhes dizia: ‘muito bem, eis aí a tua chance!’.

Gratidão aos servos; pois, sem eles, o Acampamento não aconteceria. O meu trabalho foi apenas orientar; visto que, na realidade, eram eles que faziam tudo. Gratidão ao André Vilela, aos padres, às Irmãs e ao Leandro Loffi.

Também aos senhores pais por confiarem em nós; e a vocês, campistas, muito obrigado! Superamos o medo das notícias que anunciavam o ‘fim do mundo’, tamanha quantidade de chuva previam caísse sobre a região nesses dias. Estou muito feliz e, se Deus quiser, estaremos juntos na 15ª edição do ÉFETA!

O Núcleo de Evangelização

Pe. Auricélio, Diretor Espiritual do ÉFETA, manifestou gratidão ao Cleison, por seu abnegado empenho e por sua competência na condução do Acampamento. Aproveitou para explicar sobre o Núcleo de Evangelização Beata Albertina.

É o Núcleo que promove, além do Acampamento ÉFETA, outros dois Encontros de evangelização: o ILUMINAI, com adolescentes, e o AMORIZAR, com casais. O objetivo é ajudar as pessoas a ‘tatearem’ o coração de Deus. Tudo isso nasceu aqui, neste Santuário, inspirado na vida e no testemunho de Albertina.

Quero recordar os pioneiros destas iniciativas e louvo a Deus pela dedicação dos membros do Núcleo, quase todos aqui presentes. Nós somos gratos à comunidade de São Luiz que nos acolheu e ao seu Pároco e Reitor deste Santuário, o Pe. Ademir. Obrigado!

Preparando a ‘entrega’

No interior do templo, ao mesmo tempo, havia um clima orante e festivo. A Palavra de Deus já havia sido proclamada e refletida; e a Eucaristia fora oferecida ao Pai e distribuída aos comungantes.

Pe. Auricélio e Pe. Jerônimo, que estiveram acampados, concederam a bênção aos presentes. Portanto, em outros tempos, seria o momento de a assembleia ouvir: “Ite, Missa est”; isto é: “Ide, a Missa terminou”.

No entanto, ainda era necessário fazer a ‘entrega’ e o ‘envio’ dos filhos às suas famílias. Foi a tarefa confiada ao missionário André.

Irmãos, terminada essa Celebração, assim como vocês, eu também quero voltar pra casa; e será uma viajem de cinco horas até Brusque. Mas há algo que quero ainda falar aos seus corações. Quanta gente trabalhou para que tudo desse certo; e vocês viram que, realmente, tudo deu certo. Gratidão a todos!

“Pai, o Circo!”

E, agora, eu quero lhes contar uma estorinha. Certa vez, o menino chegou todo empolgado e disse ao pai: ‘Pai, o circo vai vir na nossa cidade no próximo domingo!’. O pai ponderou: ‘Tudo bem, mas acalme-se, pois hoje ainda é segunda!’. O menino falou: “Mas, pai, eu quero ir no circo!’.

Na manhã seguinte, terça, quando o pai foi tomar café, sob a xícara encontrou um bilhete: ‘Pai, não se esqueça do circo’. À noite, o filho inquiriu o homem: “Pai, o domingo é amanhã?’; e o pai respondeu carinhosamente que não.

Na quarta-feira, pela manhã, ao abrir o armarinho pretendendo escovar os dentes, encontrou outro bilhete: ‘Pai, não se esqueça do circo’.

Na quinta-feira, o bilhetinho foi colocado debaixo do prato, na hora do almoço. Assim também na sexta e no sábado.

Na madrugada de domingo, o filho entrou no quarto dos pais e acordou o homem, sussurrando: ‘É o hoje o domingo?’. ‘Sim’, respondeu o pai. E o filho exultou: ‘Então, levanta, pai!’. E o bom homem falou: ‘Ainda está escuro, filho, vá dormir!’.

Mais tarde, quando o pai acordou, o menino, todo serelepe, já estava pronto. Tomaram café juntos e, foram ao circo, cuja sessão começaria às dez horas. Sentaram-se na arquibancada, junto ao picadeiro e aguardaram meia hora para o início do espetáculo. Foi quando, após ter passado a noite acordado, a criança encostou-se no pai e adormeceu exausto.

O pai, carinhosamente, aconchegou o seu rebento em seu colo e assistiu ao espetáculo sozinho. Depois, carregando-o no colo, levou-o para sua casa e o colocou, ainda dormindo, na cama. Nisso o menimo sobressaltou-se: ‘Pai, o Circo!’. E o pai o beijou, dizendo: ‘Passou, filho!’.

Reacender e cultivar o Amor

Atraindo a atenção de toda a assembleia, André explicou o sentido da parábola. E preparou o grande momento do reencontro dos campistas com suas famílias.

Irmãos, não dá para dormir diante desse espetáculo chamado VIDA! A Palavra de Deus diz: ‘Desperta, tu que dormes’ (Efésios 5,14). Vocês entenderam; agora a missão continua em suas casas. Levem consigo tudo isso que receberam neste ÉFETA. Ajudem a reacender e a cultivar o Amor no coração dos seus familiares!

Está chegando a hora de voltarmos pra casa. Eu sei que o pessoal da Equipe tem o mesmo sentimento que o meu quanto a vocês: é como se vocês fossem nossos filhos ou irmãos de sangue. Afinal, vocês choraram e riram comigo; escutei suas dores e vocês conheceram as minhas. Vivemos intensamente esses dias. Abraçamo-nos e nos queremos bem.

Não me deixa muito feliz saber que, amanhã, não poderei estar com vocês. No entanto, vocês estarão com suas verdadeiras famílias, que realmente amam vocês. Sentiremos a falta um do outro; porém, há um lugar em que a gente pode se encontrar: na Eucaristia! Amanhã, na Missa, quando eu olhar para Jesus na Hóstia, lembrarei de vocês. Preciso lhes confessar: eu estou com muita vontade de voltar pra casa e poder abraçar minha esposa e nossos filhos.

Os jovens se abraçaram, enquanto o Ministério entoava ‘Tua Família’, da Banda Anjos do Resgate.

‘Percebe e entende que os melhores amigos são aqueles que estão em casa esperando por ti. Acredita. Nos momentos mais difíceis da vida, eles sempre estarão por perto, pois só sabem te amar.”

O que se seguiu a partir daí, não é difícil de imaginar e nem é fácil descrever. Um turbilhão de sentimentos aproximou pais, filhos e familiares... Muitas palavras e silêncios em meio a abraços, beijos e lágrimas.

Os campistas veteranos não contiveram suas lágrimas também, como vários testemunharam: “Estou revivendo o meu ÉFETA!”.

As próximas edições do Acampamento ainda não têm datas definidas. Mas o próximo evento do Núcleo será o 14º AMORIZAR, a ser realizado em 14 de novembro.

Inscrições já estão abertas:

https://www.instagram.com/aamorizar?igsh=dW5hYW4wNGZyZmky

 

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História de Albertina – narração: Pe. Auricélio e seus pais Sebastião e Osmarina – https://www.youtube.com/watch?v=D18M67Tpunc      

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