(15/02/2026) A
primeira aula da Escola Paroquial de Formação Permanente da Paróquia São
Martinho de Tours, de Tubarão, aconteceu nesta noite e foi ministrada pelo Pe.
Rodrigo José da Silva, ex-Vigário Paroquial da Paróquia e atual Coordenador
Diocesano de Pastoral. Pe. Auricélio, o Pároco, deu as boas-vindas aos
presentes, apresentando o tema do encontro e o professor.
Após o momento de espiritualização, Pe. Rodrigo apresentou o cartaz da Campanha da Fraternidade, cujo tema é FRATERNIDADE E MORADIA e o lema “Ele veio morar entre nós” (João 1,14). E questionou aos presentes:
“Qual é o ponto de partida da Campanha da Fraternidade? É o mistério da encarnação. O que significa a festa que celebramos no dia 25 de dezembro? O nascimento de Jesus. Para o povo judeu, o Nome de Deus era impronunciável porque Ele é o Perfeito, Altíssimo, Grande, Onipotente e Eterno. Mas, a partir de Jesus, gerado no ventre de Maria, ‘o Verbo se fez carne’. Ou seja, Deus assume a nossa humanidade e, tomando o rosto humano, entra na nossa História. Se antes era proibido pronunciar o Nome de Deus, agora, o próprio Deus faz-se próximo e vem morar junto de nós! Ao assumir a nossa humanidade, Deus assume a nossa carne, nossa cultura e, de modo especial, as nossas contradições, nossos limites e pecados.”
Pe. Rodrigo fez
o repasse da reflexão feita na semana passada, dia 05, na CEDA, por ocasião do
Seminário da Campanha da Fraternidade promovido pela Diocese, a partir do Texto
Base elaborado pela CNBB. Continuando seu estudo, o Padre citou o antigo Bispo
de Lyon, na atual Turquia, que viveu entre 130 e 202 dC.
“Segundo Santo Irineu, Deus assume a totalidade de nossa humanidade para nos redimir, ou seja: Ele quer nos salvar e ‘aquilo que não é assumido, não é salvo’. Deus nos assume do jeito como somos, por inteiro, tanto com nossas virtudes quanto com nossos limites. Portanto, a nossa história, em meio as alegrias e tristezas, revela o rosto de Deus.”
A fé como dom. “Qual é a consequência dessa atitude de Deus para conosco? É a fé! A fé é uma experiência que acontece na nossa história pessoal e comunitária a partir de nossas experiências e do solo que pisamos. Corremos o risco de querer reduzir a fé às alturas, a meras experiências emocionais, apenas na busca de milagres e sinais; porém, é no chão da nossa vida, concretamente, que tais experiências de fé acontecem.
Assim,
mesmo quando enfrentamos dificuldades, mesmo sem compreender plenamente, acabamos
perseverando na fé. Antes do Concílio Vaticano II, no final da Santa Missa, o
padre sempre dizia: ‘Ite, missa est’, isto é: ‘Ide, a Missa acabou’. Após o
Concílio, ocorrido há 60 anos, passamos a compreender que, com a bênção final,
a função religiosa terminava, mas continuava na missão cristã do dia a dia. Por
isso, hoje, no final da Missa dizemos: ‘Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe’.”
A concretude da vida. “A Eucaristia
nos convida a cultivarmos uma espiritualidade que tem história, pois acontece
na nossa vida concreta, no dia a dia. Hoje corremos o risco de achar que ter fé
é simplesmente sentir uma forte emoção na celebração ou num outro evento
religioso. Mas a liturgia precisa ser celebrada e vivenciada é a partir das
nossas experiências concretas, fundadas na pessoa de Jesus que, com a Sua
encarnação, aproximou-se de nós e assumiu a nossa condição humana, a nossa
realidade pessoal.”
Mais que um ilustre visitante. “Ele veio fazer
morada entre nós! Ele não veio apenas nos visitar, mas veio permanecer entre
nós, assumindo-nos por inteiro, com nossa fragilidade total. Por isso, no Getsêmani,
Ele chora e depois diz: ‘Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?’. O seu
grito de abandono revela que Ele assumiu plenamente a nossa condição humana.”
Ele promove a humanidade. “Com Jesus uma nova lógica é inaugurada. Ele cuida de nós, age e restaura com misericórdia. Ele nos dá possibilidade de reconstruirmos uma vida nova resgatando a dignidade de cada pessoa. Na nossa espiritualidade quaresmal é importante destacarmos mais o propósito de Deus de nos oferecer a Salvação do que de castigar-nos, enchermo-nos de medo. A nossa oração, pessoal e comunitária, e tudo que celebramos na Igreja, visa nos ajudar a sermos ‘sal da terra e luz do mundo’, a lâmpada não pode ser escondida, mas sim, elevada para iluminar todos que se encontram no ambiente. Portanto, queremos viver uma espiritualidade comprometida e responsável, com maturidade e equilíbrio. Isso exige que rompamos o egoísmo, que olhemos com sensibilidade para os que sofrem e que, muito provavelmente, caminham ao nosso lado.”
Conversão do ser. “Quaresma é o tempo de
conversão, de mudança de vida! ‘Metanóia’ (do grego ‘além + pensamento’),
significa que a conversão exige mudança de pensamento, de compreensão das
coisas, o que vai se manifestar na transformação dos nossos gestos e atitudes.
Quaresma também é tempo de oração (relação com Deus), de jejum (relação comigo
mesmo) e de caridade (relação com os irmãos). Ouvimos, noutro dia, que o
profeta Isaías falava sobre o jejum. Ele criticava os fiéis por praticarem um
jejum ritual, sem deixarem-se transformar em seus corações e nem a ordem social
ao seu redor. Na Quaresma, peçamos a graça de fazermos uma revisão de nossa
vida, assumindo concretamente a conversão pessoal e a transformação das
relações injustas em nossa sociedade.”
Os mais de
cinquenta participantes, de todas as comunidades da Paróquia, tiveram maior
conhecimento acerca da realidade nacional sobre a moradia. É muito desafiadora
a situação de tantas famílias, também aqui em nosso bairro, que não conseguem
ter a sua casa própria, mesmo que trabalhem anos e anos a fio. E tantas outras que
gastam quase todo o salário para pagarem o aluguel, vítimas de cruel
especulação imobiliária.
Refletimos sobre
as condições em que elas vivem e lembramos dos muitos migrantes
(particularmente dos venezuelanos) que precisam dividir quartos e casas com
muitas pessoas, vivendo em situação deplorável.
Pe. Rodrigo
apresentou muitos dados oficiais sobre a questão da moradia e desafiou os
participantes a pensarem sobre se nossas casas são locais de acolhimento, de
fraternidade e de fé; afinal, somos chamados a ser Igreja Doméstica.
O tema da Campanha da Fraternidade nos traz uma grande e alegre notícia: “Ele veio morar entre nós”; mas, também, nos desafia a pensarmos se nossas casas são dignas moradias de filhos e filhas de Deus.
Após a aula, Pe.
Rodrigo recebeu homenagem das lideranças. No último ano ele serviu nossa
Paróquia como Vigário Paroquial, auxiliando o Pároco e as comunidades em tantas
iniciativas pastorais. Dada a sua transferência para a Paróquia de Morrotes,
também em Tubarão, não tivemos a oportunidade de manifestar-lhe a gratidão de
nossa Paróquia. Então, nesta noite, todos puderam rezar por ele, agradecer sua
missão e lhe dar um abraço fraterno.
Ao longo do ano
a Escola Paroquial oferecerá mais três aulas: 14/05; 13/08 e 01/10.
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Trailer
do filme ALBERTINA: https://www.youtube.com/watch?v=3XggsrQMHbk
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