CRISTO VIVO - A NOSSA MELHOR NOTÍCIA



Em um panegírico de Santa Terezinha do Menino Jesus conta-se que, no Carmelo de Lisieux, na França, uma religiosa decidiu provar a fé da mais nova integrante da comunidade. Terezinha tinha acabado de completar 16 anos. A tarefa consistia em plantar galhos secos de roseira que ela deveria regar todos os dias até que florescessem. A jovem aspirante obedeceu à ordem insana daquela religiosa, enquanto suas colegas se dividiam entre ter compaixão da moça ou rir da cena tosca. O fato é que, passados alguns dias, conta-se que os galhos secos brotaram e produziram as mais belas e perfumadas flores do Carmelo.

Não há porque duvidar de que “a fé remove montanhas” (cf Mt 17,20) e que “tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8,28). O Livro Santo está repleto de fatos maravilhosos marcados pela fé genuína. A fé é a maior força dos seres humanos!

Foi pela fé que uma arca foi construída no deserto até que chegou o dilúvio. Foi pela fé que Abraão deixou sua terra e partiu sem rumo obediente à voz de Deus em seu coração. Foi pela fé que Moisés enfrentou o poderio do Faraó e da religião vigente empunhando apenas um cajado de madeira. Foi pela fé que mãe e filhos suportaram heroicamente o martírio quando da chamada revolta dos Macabeus.

Foi pela fé que uma jovem do interior, lá de Nazaré, acolheu a mensagem de um ser espiritual que lhe comunicou uma boa nova. “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós!” (Jo 1,14). E foi pela mesma fé que ela acompanhou o fruto do seu ventre até o Calvário e lá, junto à cruz, permaneceu em pé; mostrava assim, ao filho crucificado e moribundo, como é que encara a morte um Filho de Deus. E mais: fortalecida pela graça da fé, ela viu o seu Amado aparecer ressuscitado, bem vivo, outra vez no meio da comunidade que fundara.

Juntamente com o escritor sagrado da Carta aos Hebreus podemos proclamar: “Estes, pela fé, conquistaram reinos, exerceram a justiça, foram contemplados com promessas, amordaçaram a boca dos leões, extinguiram a violência do fogo, escaparam ao fio da espada, recobraram saúde na doença, mostraram-se valentes na guerra, repeliram os exércitos estrangeiros... (cf Hb 11,27-40).

Os tempos vão passando, e cada vez mais a humanidade sente a necessidade de pessoas que ajam movidas pela verdadeira fé. Uma fé coerente, comprometida com a vida e a justiça, que se traduz em atitudes que renovam e inquietam as demais pessoas... Uma fé que torna o crente mais terno, mais amoroso e um ser humano melhor... Uma fé que faz vislumbrar o horizonte da esperança, a luz em meio às trevas, o sorriso sereno em meio à dor, a presença solidária e fraterna em meio ao caos social...

Portanto, não obstante os desafios, nós contamos “com tamanha nuvem de testemunhas em torno de nós”. E eles nos incentivam a estarmos cada vez mais unidos a Jesus. “Corramos com perseverança na competição que nos é proposta, com os olhos fixos n’Ele, que vai à frente da nossa fé e a leva à perfeição” (Hb 12,1-2).

Nós, Igreja santa e pecadora, anunciamos que Jesus ressuscitou e que vivo está entre nós! O mundo pode achar essa proclamação de fé interessante, ou fantasiosa ou mesmo folclórica... Para nós, porém, é ela que dá sentido a tudo o que somos, fazemos, pregamos, buscamos e esperamos... já para este mundo e também após findarem nossos dias aqui.

As roseiras florescerão... mesmo secas, elas voltarão à vida! Quem crê em Cristo, como a apaixonada Santinha de Lisieux, testemunhará a ressurreição em todas as situações. Que o Senhor nos ajude a perseverarmos na fé, como Maria de Nazaré e Santa Terezinha! E que nossa fé no Cristo Vivo seja a nossa melhor Notícia!


Pe. Auricélio Costa – Pároco e reitor

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