sexta-feira, 17 de junho de 2016

“UM CORAÇÃO MISERICORDIOSO COMO O VOSSO”


Ele chegou à sacristia, após a Missa, e foi logo me comunicando: “Ah, Padre. Terei que ser submetido a um novo procedimento cardíaco. Meu médico disse que é necessário!”. Conversamos um pouco sobre o assunto. Ouvi seus anseios e receios... Falou-me que gostaria de ficar bom logo para poder realizar seus projetos pessoais, familiares, ajudar na comunidade...
Depois que nos despedimos, fiquei pensando quantas vezes o nosso coração fica enfermo e é preciso que alguém nos ajude a perceber os efeitos e perigos da doença que chegou. De fato, são tantas as novas e perigosas patologias que vêm colocando nossa vida em risco. Também é verdade que a Medicina tem avançado positivamente e satisfatoriamente em vários campos de sua atuação.
Acabei pensando no Coração de Deus. Ele mesmo nos revelou a intimidade do Seu Sagrado Coração. Os textos bíblicos nos enlevam sobre este tema, pois nos dão conta de que o Divino Coração é puro Amor, Perdoador, Acolhedor, Justo, Manso, Humilde, Generoso... e, sobretudo, Misericordioso!
Quis o Papa Francisco nos convidar para celebrarmos o Jubileu da Misericórdia porque sentiu que era urgente voltarmo-nos para o centro de nossa fé. E convidou-nos a penetrar na intimidade do Coração de Deus, incentivando-nos a aprofundarmos nossa consciência de filhos amados e nosso compromisso de testemunhas da Misericórdia. Aliás, foi Deus mesmo, na pessoa do Filho, quem disse: “Vinde a mim vós todos... pois sou manso e humilde de coração...”.
A Igreja sente, fortemente, a urgência de anunciar a Misericórdia de Deus. Enquanto anuncia com palavras, exortações, exemplos e espírito de conversão, a Igreja mesma vai se tornando mais misericordiosa. Enfim, mais autêntico ícone e rosto da Misericórdia!
Misericórdia é uma composição de duas palavras latinas. De um lado temos “miserere”, que significa “ter compaixão”. Esta palavrinha, por sua vez, significa “sofrer com”. Do outro lado, temos o verbete “cordis”, isto é, “coração”! Assim, entendemos que Misericórdia é fazer-se próximo de quem sofre, ser solidário, sofrer junto, envidar afetos e atitudes para caminhar com quem padece. Poderão nos ajudar imensamente nisso três “fontes de Misericórdia”: a Palavra de Deus, a Eucaristia e uma boa Confissão!
No Salmo 24/25,6 temos a súplica do salmista: “Lembra-Te, Senhor, da tua Misericórdia e do teu Amor, pois eles existem desde sempre”. Neste estilo literário até podemos permitir que o suplicante imagine que Deus pudesse “se esquecer” de Quem Ele é na realidade. De fato, Deus jamais poderia deixar de ser Misericórdia e Amor, pois aí se encontra a Sua essência. E, por isso, nunca Ele poderia se esquecer dos filhos e filhas que gerou por Amor. Seu Coração é todo voltado para nos amar, nos fazer felizes, nos resgatar de nossas más escolhas e pecados... “Sua Misericórdia dura para sempre!”. Chegou ao ponto de planejar nossa Salvação e enviou o Seu Filho Unigênito para nos redimir.
Neste mês, em todas as comunidades, celebraremos de muitas formas a devoção ao Sagrado Coração. A nossa rica religiosidade popular pode ficar mais enriquecida com a espiritualidade deste Ano Santo. Aproveitemos este tempo especial (kairós) para tornar nosso coração mais semelhante ao de Jesus! Também nós precisamos ser mais acolhedores, perdoadores, amorosos, humildes, samaritanos, servidores, companheiros, compassivos... misericordiosos como Deus!
Talvez nosso coração também esteja precisando de alguns “procedimentos” para “funcionar” melhor. Que tal buscarmos nos aproximar mais de Deus? Que tal praticarmos as Obras de Misericórdia Corporais e Espirituais?
Eu continuo rezando e torcendo por aquele irmão que sofrerá uma cirurgia cardíaca. Mas também rezo por você, a fim de que este Ano Santo torne o seu coração mais misericordioso!


Pe. Auricélio Costa – Reitor do Santuário de Albertina

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