sexta-feira, 11 de outubro de 2013

MISSÃO – VOCAÇÃO VITAL DA IGREJA


Era para ser apenas uma conversa informal acerca de uma possível cirurgia. Eu estava preparando um jovem vocacionado para visitar seu médico. Foi quando eu ouvi dele um belo testemunho: “Padre, enquanto converso com o médico, faça-me o favor de rezar para que não seja nada que me impeça de ser padre também, pois quero anunciar a Palavra de Deus!”.

Seria bem outra a história da humanidade se tivéssemos compreendido bem a missão que o Senhor Jesus no confiou antes de “subir” para o Céu. Ele disse: “Ide e fazei discípulos meus entre todas as nações”. Em muitas histórias, essas palavras caíram como boa semente num terreno bem arado e fértil. Tais corações foram tomados de um vigor e um impulso como nunca se vira antes, capazes de levá-los a terras desconhecidas, aprender idiomas complicados e reaprender a viver em culturas bem distintas e diversas. A certeza de que o Senhor nunca os desampararia os fez atravessarem oceanos e enfrentar mil perigos para anunciar a Boa Nova.

É sempre salutar conhecermos testemunhos de missionários do presente e do passado acerca de suas “aventuras” para fazerem crescer o Reino de Deus. E não tem como não nos questionarmos sobre a forma como vivemos a nossa religião diante de exemplos tão fortes. Como ficar insensíveis diante do testemunho de Damião de Molokai ou dos Santos Mártires do Rio Grande – Afonso, João e Roque (veja os filmes “Damião, o Santo de Molokai”, “A Missão”, “Hotel Ruanda”, etc)?

É realmente urgente que nós cristãos assumamos nossa missão batismal! Essa “pressa” nos foi transmitida recentemente pela visita do Papa Francisco ao nosso país. De maneira muito clara e direta, no Encontro com os jovens argentinos, na Catedral São Sebastião do Rio de Janeiro (25/07/13), o Papa abriu seu coração:

“Desejo dizer-lhes qual é a conseqüência que eu espero da Jornada da Juventude: espero que façam barulho. Aqui farão barulho, sem dúvida. Aqui, no Rio, farão barulho, farão certamente. Mas eu quero que se façam ouvir também nas dioceses, quero que saiam, quero que a Igreja saia pelas estradas, quero que nos defendamos de tudo o que é mundanismo, imobilismo, nos defendamos do que é comodidade, do que é clericalismo, de tudo aquilo que é viver fechados em nós mesmos. As paróquias, as escolas, as instituições são feitas para sair; se não o fizerem, tornam-se uma ONG e a Igreja não pode ser uma ONG... Mas este é o meu conselho. Obrigado pelo que vocês puderem fazer.”

Neste Mês Missionário, o Espírito Santo interpela cada cristão. E as palavras dos Bispos de Guiné Bissau (D. Pedro Zilli e D. José Lampra Cá), durante sua visita à nossa Diocese (13/08/13), nos convidam à uma tomada de atitude concreta. Eis o desafio que eles nos propuseram: assumir uma Paróquia numa das duas Dioceses de lá, enviando um padre por pelo menos seis anos. Com o tempo, leigos também poderiam participar do Projeto Missionário. E justificaram:

“Estamos abertos a todas as parcerias, tanto na evangelização, quanto nas áreas de desenvolvimento social. Sentimos uma grande abertura da Igreja do Brasil para esta nossa realidade. Precisamos ajudar nosso povo a viver mais dignamente e a fazer um encontro com Jesus Cristo. Vivemos sérios problemas advindos da instabilidade político-militar, que compromete nosso desenvolvimento, nossa segurança e nosso trabalho de evangelização também. Diante disto, o quê fazer? Não podemos ficar parados, esperando. Pois somos co-responsáveis pelo destino dos outros irmãos. Não temos direito de sermos felizes sozinhos.”

E os Bispos africanos argumentaram com ousadia profética: “A primeira forma de colaborar para uma transformação é evangelizar. Mas há paróquias sem padres e tantas atividades que precisam ser implantadas. Lá podemos dizer ‘os trabalhadores da messe são poucos’. Sinto que este nosso encontro aqui hoje é também uma oração ao Senhor. Precisamos anunciar Jesus na Guiné, pois quando Ele entra no coração, provoca verdadeiras transformações. Nós não somos um país maldito, onde nada funciona. Cremos que o país é viável e que é querido por Deus. Nossa presença é quase uma intervenção profética para erguer a autoestima do guineense. Vossa Diocese é muito bem-vinda em nossas Dioceses de Guiné-Bissau!"

Vivemos o Ano da Fé e da Juventude! Que o Espírito Santo nos revigore interiormente para assumirmos nossa missão com entusiasmo! Pois a missão é a vocação vital da Igreja; o que significa que é para “missionar” que ela existe! E foi isto que aquele meu irmãozinho vocacionado, lá no hospital, já percebeu tão claramente. Pe. Auricélio Costa – Promotor Vocacional Diocesano

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