FESTA DE PASSOS EM IMARUÍ - 2013


17 de março de 2013. 9:30h. Após uma madruga de chuvas torrenciais sobre toda a região, o Domingo de Passos amanheceu iluminado pelo sol radiante em meio a algumas nuvens. Um belo dia para a Festa de Passos de Imaruí.

Após a Missa no Seminário, convidei os seminaristas propedêutas e fomos em romaria para a Pequena Jóia do Litoral. Já na rodovia que conduz para a cidade encontramos alguns peregrinos que pagavam promessas indo para Imaruí à pé. Às vezes eles caminham mais de cinqüenta quilômetros!

Logo que descemos o Morro do Taquaraçutuba já avistamos a cidade tomada de fieis. Muitos carros e ônibus e intensa movimentação de pedestres revelavam que a chuva dos últimos dias não arrefeceu o entusiasmo e a devoção popular. Percebemos que havia menos camelôs ambulantes na Praça da matriz. Também havia maior afluência de pessoas entre as barracas montadas nas margens da lagoa de Imaruí. Todavia, um grande número de romeiros alegrou e deu sentido à festa religiosa.

Durante toda a semana houve uma intensa programação religiosa em torno da devoção ao Senhor Bom Jesus dos Passos e da Senhora das Dores. Inclusive com Missas, bênçãos, lavação e vestição do Santo (que acontece em sigilo, com vinho tinto seco que os devotos trazem), vestição da Santa...

Na parte da manhã deste domingo, a Passio Açoriana constituiu-se na celebração de três Missas. Seus presidentes foram Pe. Adenir Ronchi (de Joinville), Pe. Avelino de Souza (Tubarão) e Pe. José Eduardo Bittencourt (Imbituba).

O almoço foi na casa dos amigos Menga e Cida. Foi muito legal! Eles são muito acolhedores. Terminada a refeição descemos para a praça da matriz onde uma multidão se aglomerava para o início da procissão. A Missa dos Romeiros, que começara às 13:30h, presidida pelo Pe. Jeremias de Sousa (Vargem do Cedro), já havia sido concluída. A Verônica, interpretada pela Gabriela Corrêa, com sua maravilhosa voz, entoou a tradicional canção “Oh, hominis”.

O cortejo com as venerandas imagens foi ganhando as ruas da pequena cidade, tornada, agora, num grande santuário da devoção popular. Na procissão percebi muitas pessoas, mais do que em anos passados, pagando promessas. O céu nublado ajudou a criar um clima favorável para a caminhada.

Mesmo sem o habitual calor intenso, os devotos não deixaram de aceitar as ofertas de água dos moradores ao longo do trajeto. Conversei com os moradores da casa vizinha à Capela de Passos. Estavam muito felizes e emocionados em poder realizar este gesto de caridade. “Fazemos isto porque sabemos que é importante. E, esperamos poder repeti-lo por toda a vida!”, me disse a jovem senhora, acompanhado do seu filho. Ele, por sua vez, garantiu: “Distribuímos em torno de 60 galões de água potável que compramos”.

A Verônica cantou ainda na frente da Capelinha de Passos e, no final da Festa. Percebi algo inusitado durante a procissão: enquanto caminhávamos, quase que ao mesmo tempo, três romeiros falavam ao telefone celular. Não tinha como não ouvir o que conversavam: uma jovem ía descrevendo a procissão para alguém ; um senhor comentava sobre a procissão e confirmava onde deveriam se encontrar ao término da Festa; um terceiro, jovem, animadamente, também tecia comentários sobre a Festa. “É a modernidade”, pensei comigo.

Ainda não foram resolvidos os problemas de sonorização do trajeto e nem o impedimento de músicas profanas no camelódromo durante aquele momento da procissão. Tanto que, enquanto descíamos a rua geral podíamos ouvir nitidamente as batidas e a pobre letra de uma música funk. Em cada um dos Sete Passos a procissão parou e os devotos conduziram orações e o canto “Miserere” diante dos altares com as estações da Via-sacra.

Por fim, na Praça, diante da Matriz, estando todo o povo concentrado, houve o Sermão do Encontro. Neste ano o pregador foi o Pe. Hélio da Cunha, pároco de Santo Antônio, Campinas, em Florianópolis. Na próxima página transcrevo a sua reflexão.

Comentários

  1. Brilhante narração da nossa festa. Pena não ter encontrado o Senhor Padre Auricélio. Forte abraço,

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