O BRASÃO DE D. JOÃO FRANCISCO E O SEU SIGNIFICADO

Conforme antiga tradição eclesial, os bispos possuem um brasão ou escudo como símbolo de seu papel e sua missão na Igreja. Famílias tradicionais européias costumavam se identificar por estes brasões. Também já foi usual, em tempos idos, sacerdotes simbolizarem seu ministério presbiteral através de brasões. A arte heráldica é a responsável por elaborar os belos e significativos brasões. Abaixo, a Descrição Heráldica e Simbólica do Brasão de Dom João Francisco Salm, Bispo da Diocese de Tubarão (segundo sítio da Arquidiocese de Florianópolis).

DESCRIÇÃO HERÁLDICA

01. Escudo: Cortado.
Primeiro campo: de bordô, trazendo uma vinha de dois cachos, brotante do seu próprio apoio com a forma de uma Cruz; tudo de ouro.
Segundo campo: sob a Cruz, um campo de azul com faixetas ondadas de azul escuro; no centro, um peixe de ouro, posto, curvado, com a cabeça para cima e a cauda para baixo.

02. Insígnias: chapéu prelatício de verde, forrado de vermelho, do qual pendem, por cordões, três fileiras de borlas, de cada lado do escudo; tudo de verde. Cruz Processional de ouro, ornada por um rubi.

03. Lema: “Ite in vineam” (cf. Mt 20,4-7) – “Ide para a vinha”, em letras unciais, maiúsculas e de bordô.

COMENTÁRIO SIMBÓLICO

A cor bordô lembra o Sangue da Redenção simbolizado na Água Batismal, sugerida na cor azul. A força recriadora do Batismo emana da Páscoa e opera em vista do “novo céu e da nova terra” já presentes na Eucaristia.
A vinha representa a lavoura de Deus, os âmbitos (pessoa, comunidade, sociedade) onde cada um de nós, enquanto discípulo missionário, os grupos eclesiais ou a Igreja inteira têm sua missão a cumprir.
“Ide para a vinha” é chamado, convite e envio; sugere iniciação cristã, inserção na vida de comunidade e chamado a uma vocação específica (no laicato, na vida consagrada ou no ministério ordenado); sugere também uma comunidade viva que se faz presença missionária, acolhedora, evangelizadora e transformadora da sociedade.
A uva e o vinho simbolizam o Cristo morto e ressuscitado (Eucarístico) que manda lançar as redes em águas mais profundas, sugeridas no quadro azul com o peixe.
O peixe, um dos mais antigos símbolos do cristianismo, lembra a multiplicação dos pães, a pesca milagrosa e a refeição de Jesus Ressuscitado com os apóstolos. No tempo das perseguições servia de sinal para os cristãos se reconhecerem. O peixe fora da água morre. Assim, fora da água do Batismo, fora da vinha, fora da comunidade, a vida cristã definha e morre.
A palavra peixe em língua grega é “IXTYS”. Cada letra desta palavra (em grego) é inicial de um dos títulos (nomes) de Jesus: “JESUS”, “CRISTO”, “FILHO DE DEUS”, “SALVADOR”.
O peixe também é símbolo da Eucaristia. Nela Jesus chama e envia em missão.
A vida e a missão na vinha requer atitude eucarística: deixar-se enviar; doação da vida para que o outro viva; reconciliação; saber morrer para ressuscitar; partilha; solidariedade. Ir para a vinha é tornar-se eucarístico no ser e no agir. O trabalho na vinha requer profunda e amadurecida espiritualidade eucarística.
O azul também recorda Maria, mulher eucarística, modelo único em quem tudo isso se realizou plenamente. — em Tubarão, Santa Catarina.

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