terça-feira, 17 de janeiro de 2012

JAIME PALADINI – UM PALADINO DO BEM



05 de janeiro de 2012. 10h. Não foi sem tristeza no coração que recebemos a notícioa do passamento de Jaime Paladini. Muito jovem, apenas 58 anos de vida, voltou para a Casa do Pai este irmão e amigo. Deixou-nos um enorme legado.


Ao dar-me a notícia, seu único filho, o Rodrigo, se conformava a si mesmo pelo fato de saber que seu amado pai não iria mais sofrer. De fato, os últimos anos foram cruéis para o Jaime, pois um câncer na laringe o impediu de realizar plenamente sua missão (talvez esta fosse a sua missão!).

Nascido no interior de Orleans, de uma tradicional família de origem italiana, aprendeu a valorizar a família e a religião. Lá mesmo despertou sua preocupação com o mundo da Educação e da Cultura. Chegou a assumir esta Secretaria naquele município.

Além de ministrar aulas em várias escolas, preocupava-se com o desenvolvimento social do país. Por isso, abraçou a causa partidária desfraldando a bandeira do PCdB. Comunista e cristão.

Vindo trabalhar em Tubarão, em meados da década de 80, lecionou no respeitado Colégio São José (onde grande parte da elite citadina estuda) e no recém-criado Colégio João XXIII, no bairro Passagem.


Ali começou nossa história com o Jaime. Alto e esguio, com seu imponente bigode, e sempre sorrindo, aquele novo professor de Física e Química era diferente dos demais. Facilmente fez amizades com todos e se interessava pela vida dos alunos, de suas famílias, de suas localidades... Aos poucos ficou amigo de todos.

Diante dos graves problemas do uso de drogas e do êxodo escolar, ele sugeriu a criação de uma banda de música. Percebera que mais de uma dezena de alunos trazia violões para o colégio e que havia muitos cantores dentre os jovens.


A proposta foi rapidamente aceita e nasceu o Grupo Musical João XXIII que, logo recebeu o nome oficial Grupo Musical Censura Livre. Foi a base de um projeto mais amplo: a Oficinas de Artes Censura Livre, concretizando um desejo da comunidade escolar: Escola Aberta aos finais de semana. O projeto durou dois anos e despertou centenas de talentos artísticos na circunvizinhança em todos os campos das Artes. A banda ainda durou oito anos!

No campo da política, o Jaime foi presidente de seu partido e candidato a prefeito de Tubarão em 1996. Alguns de seus ex-alunos aderiram às causas do partido, embora o Professor jamais tenha obrigado alguém a isto. Como verdadeiro educador, ensinava seus alunos a pensar sobre a realidade em que estavam inseridos.

O Jaime apoiou várias lutas comunitárias e incentivou a organização popular, as associações... Apaixonado pela causa ambiental, com o fim da Oficina de Artes e o falecimento de sua querida esposa Márcia, passou a dedicar-se às lutas ecológicas.


Participou dos movimentos ecológicos e idealizou e dirigiu o projeto Verde é Vida, da Afubra. Também fundou uma ONG para lutar em favor da natureza. Ministrou palestras e cursos sobre o tema, ocupando rotineiramente os espaços na imprensa local.


Em outubro último recebeu uma rara medalha de Honra ao Mérito concedida pelo Governo do Estado de Santa Catarina devido ao seu grande trabalho social, deixando-o muito feliz.

Neste dia 4 de janeiro de 2012, o mundo perdeu um grande educador, homem idealizador e ambientalista. E nós perdemos um amigo. Obrigado, Jaime ... paladino do bem!

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